Camelôs assumem Shopping Popular
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terça-feira, 28 de dezembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
No momento em que assumem antes da hora as despesas integrais do Camelódromo de Londrina, os cerca de 350 comerciantes que trabalham no local reclamam das dificuldades financeiras. Segundo estimativa da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), uma das duas entidades que administram o empreendimento, cerca de 40% dos vendedores estão devendo pagamento de condomínio.
Os camelôs também estão tendo que custear o aluguel do prédio, pois em agosto os repasses mensais de R$ 33 mil, feitos pela Prefeitura desde a inauguração do empreendimento, foram suspensos pela Justiça.
O Ministério Público argumentou que tais pagamentos feriam o princípio de isonomia das categorias profissionais e a livre concorrência de mercado e obteve liminar junto à 2 Vara Cível. A procuradoria jurídica da Prefeitura entrou com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça (TJ), mas a decisão judicial foi mantida.
Segundo Ana Maria Costa, presidente da Acal, os camelôs estão parcelando os aluguéis atrasados. Mesmo que a prefeitura consiga derrubar a liminar, o contrato com a administração do empreendimento prevê que a partir de janeiro de 2005 os comerciantes do Camelódromo terão que custear o aluguel do prédio (as contas de luz e água já eram pagas pelos camelôs antes da liminar).
''Precisamos da conscientização de todos os associados. Eles precisam pagar as contas em dia'', disse Ana. Já são verificados problemas no pagamento dos aluguéis atrasados: segundo Ana, 30% dos comerciantes estão inadimplentes.
Os camelôs lamentam também o fato de que as vendas de Natal estiveram abaixo do esperado. Alguns alegam que os ganhos diminuíram em relação ao mesmo período no ano passado.
''Acho que as vendas caíram porque falaram muita coisa este ano sobre o Camelódromo e fomos perdendo credibilidade. Primeiro, cortaram a luz do prédio. Depois, ficaram dizendo que a gente só vende produto falsificado, o que é mentira'', comentou uma vendedora, que não quis ser identificada.
Outro comerciante, Pedro Pinho, explicou que em seu estabelecimento o ritmo das vendas neste mês foi igual ao da época de Natal de 2003. ''Vamos ter que custear o aluguel em 2005, mas todo mundo sabia disso, estava no contrato. O que não esperávamos era ter que começar a pagar já este ano. Estamos com dificuldades por isso''.


