Camelôs aprovam Shopping Popular
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de janeiro de 2003
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
Nos primeiros dias de funcionamento do Shopping Popular, os camelôs, que tanto demoraram a deixar as avenidas São Paulo e Leste-Oeste, têm derramado elogios ao novo espaço, na esquina das ruas Mato Grosso e Sergipe (área central de Londrina). O movimento foi grande durante todo o dia e superior ao antigo Camelódromo. ''Está tudo ótimo. O público adorou o novo ambiente, e um público mais variado está aproveitando para visitar'', comemorava a vendedora Roseliane Santos Consalter.
Alguns boxes adiante, Thiago Salapata apresentava o mesmo entusiasmo. ''Calculo que o movimento tenha aumentado uns 30%. Um pessoal que não ia ao antigo Camelódromo, como idosos, gente mais rica, que mora no Centro, está aparecendo'', disse o vendedor, que ressaltou a adesão dos camelôs à legalidade. ''Estamos vendendo tudo com nota, certinho.''
Entretanto, quando a reportagem da Folha esteve no Shopping Popular, alguns camelôs ameaçaram a fotógrafa, que pretendia tirar fotos das bancas com programas de computador e CDs piratas.
Nos estabelecimentos comerciais das ruas Mato Grosso e Sergipe, os proprietários e funcionários reagiram com indiferença ou entusiasmo à chegada dos novos vizinhos. ''O movimento já aumentou. Com o Shopping Popular, mais pessoas devem começar a descobrir a esquina'', disse Tatiana Cardoso Medeiros, vendedora de uma loja de calçados.
O presidente da Associação Comercial de Londrina (Acil), David Dequêch Neto, teme que os ambulantes que ficam no Calçadão criem problemas. ''Esse pessoal sentiu a inoperância da prefeitura, que foi conivente em muitas situações envolvendo os camelôs que agora se instalaram no Shopping Popular. Somos contra essa concorrência desleal, que não paga impostos.'' Desde o dia 13, a Acil está protocolando relatórios com o número de vendedores ambulantes no Centro, realizados dia a dia. Ontem, segundo a entidade, eram 63.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, demonstrou irritação ao falar sobre o assunto. ''Estamos fazendo toda a fiscalização, mas é um jogo de gato e rato, nem sempre é possível chegar até estes vendedores. A Acil deveria gastar menos papel. Ninguém precisa se esforçar para fazer o que já estamos fazendo.''


