No segundo dia de desmontagem das barracas dos camelôs nas avenidas São Paulo e Leste-Oeste, o funcionamento do Camelódromo esteve muito próximo do normal. Ontem, durante todo o dia, o movimento foi grande e pouquíssimas barracas haviam sido fechadas. ''Não tem ninguém indo pra lá (o novo Camelódromo, na esquina das ruas Mato Grosso e Sergipe) porque faltam as portas (nos boxes). Dos 94 camelôs da Leste-Oeste, só dois fecharam, e porque foram viajar'', afirmou o vendedor ambulante José Branco Neto.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, o fechamento dos boxes está sendo feito de ''forma gradual, sem conflitos''. ''Amanhã (hoje), chegam as portas dos boxes, e devemos instalar 70, 80 portas por dia. Assim, os camelôs que já tiverem suas barracas prontas serão obrigados a se mudar. A partir disso, acho que poderemos agilizar o fechamento dos boxes antigos'', argumentou Sella.
Segundo Cleusa Maria da Silva, representante da ONG Canaã, entidade que representa os ambulantes, os poucos camelôs que tiveram suas bancas fechadas estão sem trabalhar. ''Hoje (ontem), fomos ao novo Camelódromo e discutimos algumas readequações. Algumas bancas ainda estão com colunas dentro'', explicou a vendedora, que sustenta que até sexta-feira todos os camelôs terão saído da Leste-Oeste e da São Paulo.
O gerente administrativo da Sector Contabilidade e Administração de Serviços, César Klai de França, que administra o condomínio do Shopping Popular, afirmou que ainda existem problemas a serem resolvidos no novo Camelódromo. ''Serão feitas ainda readequações estruturais, na parte elétrica, e discutiremos a disposição de alguns boxes. Além disso, algumas paredes talvez tenham que ser deslocadas'', explicou o gerente, que disse que até o final de semana a obra deverá estar pronta.
Segundo ele, as readequações se tornaram necessárias devido a erros no projeto original. ''Toda essa discussão que está havendo sobre a disposição dos boxes também poderia ter sido evitada se o sorteio das barracas tivesse sido feito agora, e não meses atrás. Muita gente reclamou porque inicialmente estava com um box numa boa posição, mas, com as mudanças, acabou ficando num lugar que não era tão bom'', explicou França.
Sella afirmou que os problemas serão resolvidos com o tempo e que ''não dá para impedir a transferência de 90% que estão com a situação certa devido a poucas barracas que ainda precisam de solução''. O presidente da CMTU estima que até sábado todos os camelôs estarão no Shopping Popular, mas o trânsito na esquina da Leste-Oeste com a São Paulo ainda levará um tempo para voltar ao normal.
''Talvez tenhamos que limpar bocas de lobo, fazer um recape no asfalto, e também será necessário reescalonar os sinaleiros, entre outras medidas. Creio que a rua só será liberada a partir de terça ou quarta-feira da próxima semana'', disse Sella.

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