Camelódromo pode mudar de endereço
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quarta-feira, 23 de junho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Está ganhando força a possibilidade de mudança de endereço do Shopping Popular de Londrina, localizado na esquina das ruas Mato Grosso com Sergipe (Área Central). Ontem, Ulisses Sabino, o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Canaã, uma das duas que administram o espaço, apontou que três imóveis estão sendo avaliados. Um deles custaria 40% do valor pedido pelo proprietário do prédio onde funciona atualmente o shopping e as negociações estariam bastante adiantadas. O martelo pode ser batido dentro de 10 dias. Antes disposta a ajudar financeiramente na transferência, a prefeitura reviu sua posição e assegurou que, desta vez, os comerciantes não contarão com qualquer espécie de repasse de recursos.
Sabino, não quis divulgar os endereços nem valores para não prejudicar as negociações. Ele revelou apenas que os três imóveis são centrais. Dois são maiores do que o espaço atual mas o menor imóvel é o que mais agrada os camelôs, justamente por causa do preço. ''A possibilidade de fecharmos o negócio por esses dias é bastante grande'', comentou Sabino. As opções de pagamento seriam o financiamento bancário ou o parcelamento do valor em cinco anos.
O imóvel teria sido oferecido por um valor 60% mais baixo do que o estipulado pelo proprietário do prédio onde funciona o shopping. Em reportagem veiculada pela Folha no início de junho, uma imobiliária avaliou o prédio atual de cinco mil metros em R$ 3,5 milhões, mas o dono estaria pedindo um valor bem maior. A compra deste imóvel ainda não foi descartada mas, conforme Sabino, o preço estaria ''fora da realidade e das possibilidades dos comerciantes''.
O shopping foi inaugurado em janeiro de 2003 e os ex-camelôs têm contrato para permanecerem no imóvel até 2007. Para deixarem as ruas, os comerciantes acordaram que a prefeitura pagaria o aluguel de R$ 33 mil mensais até janeiro do próximo ano e ainda repassaria mais R$ 144,6 mil para custear as reformas. A utilização desse recurso está sendo investigada pela Promotoria de Defesa do Consumidor.
Se decidirem pela transferência de local, os camelôs não poderão contar com ajuda financeira do município, como garantiu o principal articulador da criação do shopping popular, o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella. Para ele, os camelôs estão hoje ''numa situação favorável'' e se optarem por nova mudança, terão de arcar com as despesas. ''O município está apenas acompanhando e assessorando nas negociações para facilitar o entendimento''.


