Camelódromo perde a freguesia
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Paulo Pegoraro 
As lojas dos camelódromos de Cascavel, que já foram 500, hoje estão praticamente desertas. Muitas já fecharam as portas. A alta do dólar gerou uma séria crise para o comércio de produtos importados.
Com o câmbio que está sendo praticado, as mercadorias compradas em Ciudad del Este (Paraguai) praticamente dobraram de preço, e agora estão quase no mesmo nível das vendidas no comércio regular da cidade. É o caso de material escolar, cujo grande momento de venda seria o atual, véspera de início do ano letivo. Em um dos principais camelódromos, na Rua Carlos Gomes, onde funcionavam 65 lojinhas, uma mochila antes vendida a R$ 8,00, agora sai a R$ 16,00. No bairro São Cristóvão, em outro camelódromo, há mais portas fechadas que abertas. Muitos pontos de camelôs estão à venda.
Valdira Inácio, 15 anos, trabalha em uma loja com os pais, Miriam e João, no camelódromo da Carlos Gomes. Ela ia pelo menos duas vezes por semana ao Paraguai para recompor estoques. Agora, vai no máximo uma vez a cada 15 dias. Eletrodomésticos e brinquedos praticamente não têm mais saída. Valdira conta: Antes as vendas davam mais de R$ 100,00 por dia, e hoje não passam de R$ 40,00.
Em outra lojinha, Tiago de Oliveira, 49 anos, três filhos, lembra que início de ano sempre era ruim. Muita gente viaja em férias, diz. Mas agora, com o problema do câmbio, ele define a situação como desesperadora. Até mesmo materiais de pesca, como varas de fibra, bem vendidas em período de férias, estão encalhadas. A venda de brinquedos, segundo ele, caiu 90%. Tiago tem estoque com valor aproximado de US$ 6 mil, o que, em reais, dá uns R$ 12 mil. Para se desfazer das lojinhas, e dos estoques, ele precisaria vendê-las no mínimo por R$ 15 mil - mas não há interessados.


