Camelódromo fecha por cobrança de dívidas
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Pelo menos 100 dos 350 condôminos do Shopping Popular de Londrina - conhecido como Camelódromo - têm algum tipo de dívida com a organização não-governamental (ONG) responsável pela coordenação do empreendimento. As dívidas - da ordem de R$ 100 mil - provocaram, ontem, o fechamento do prédio pela direção da ONG, como forma de pressionar os inadimplentes pelo pagamento de taxas de aluguel e condomínio, medida definida ainda pela manhã, numa reunião promovida no próprio Camelódromo. Parte das dívidas já estão sendo cobradas pelo dono do prédio na Justiça, o que pode gerar até a expulsão de alguns dos ocupantes dos boxes.
Além da dívida, a direção do shopping discutiu a implantação e adequação de sistemas de segurança e limpeza no prédio, já notificado tanto pelo Corpo de Bombeiros quanto pela Vigilância Sanitária. ''Mas nosso maior problema, com certeza, é a inadimplência'', destacou o diretor do Shopping, Rogério Gonsales. ''Temos mais de 100 condôminos com dívidas. Cerca de 20 estão em situação grave e alguns já foram levados até a Justiça pelo dono do prédio (o empresário londrinense Ibraim Saied). No total, devemos cerca de R$ 100 mil entre aluguel e condomínio''.
Na reunião, os diretores do shopping tentaram conscientizar os devedores da importância de quitar as dívidas. ''Contamos com a compreensão do 'Seo' Ibraim, que está se mostrando companheiro e inclusive nos ofereceu uma parceria para promover as adequações exigidas pelo corpo de bombeiros e Vigilância Sanitária'', disse o coordenador do shopping, Carlos Soares.
Mesmo oferecendo-se para ajudar nas adequações, Saied já recorreu à Justiça para cobrar parte das dívidas. Segundo advogado do empresário, Luiz Augusto Dutra, quatro condôminos já foram acionados por processos encaminhados ao cartório distribuidor do Fórum. ''O advogado dos comerciantes me pediu alguns dias para negociar e vamos esperar até a próxima segunda-feira (dia 27). Se não houver proposta para pagamento, acionaremos mais 20, pedindo desde a suspensão das atividades até a expulsão do prédio'', disse.
O Camelódromo passa por dificuldades financeiras desde outubro do ano passado, quando a Prefeitura, representada pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), foi impedida pelo Ministério Público de bancar o aluguel do prédio, de R$ 36 mil. Para impedir os pagamentos, a promotoria alegou que o subsídio feria os princípios de isonomia profissional e de livre concorrência. Desde então, o empreendimento já passou por auditorias que comprovaram irregularidades contábeis, por notificações do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária e até mesmo por especulações quanto à mudança de endereço. Hoje, o shopping funciona nas esquinas das Ruas Sergipe com Mato Grosso (Área Central).


