Mais uma proposta de mudança do Shopping Popular de Londrina o Camelódromo está ganhando força entre os comerciantes que exploram o espaço localizado na esquina das ruas Sergipe com Mato Grosso, no Centro da cidade. Um empresário local teria se oferecido para construir um novo shopping e negociar a venda dos espaços com cada um dos interessados. O assunto deverá ser discutido em assembléia na próxima semana mas não conta com o apoio da Prefeitura, que avaliou que o ''momento'' não seria adequado.
A gestão do camelódromo é dividida entre duas Organizações Não-Governamentais (ONGs) - a Canaã e a Associação do Camelódromo de Londrina (Acal). A presidente da ONG Canaã, Clemari Santos Oliveira, que representa 228 dos 330 comerciantes, explicou que o empresário cujo nome não foi informado tem imóveis na área central e estaria disposto a investir na construção de um shopping e depois comercializar os espaços individualmente. O valor de cada box giraria entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. ''A proposta não foi discutida em assembléia mas agradou alguns comerciantes. É mais vantajosa do que continuar pagando aluguel e a gente ainda não ficaria pendurado nas costas de ninguém'', comentou.
Além dessas vantagens, Clemari destacou que a proposta é atraente porque as duas associações não seriam responsáveis em garantir a compra, já que cada um negociaria diretamente com o proprietário do imóvel. Para gerir o novo espaço, as associações seriam destituídas e no lugar seria constituída uma cooperativa. Esta é a segunda vez este ano que os comerciantes do camelódromo cogitam mudar de endereço. No primeiro semestre, uma proposta de alugar um outro prédio não vingou.
Para transferi-los das ruas para o atual espaço, em janeiro de 2003, a Prefeitura se comprometeu a repassar R$ 33 mil mensais aos comerciantes para o pagamento do aluguel. Entretanto, uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público em agosto deste ano suspendeu os repasses e desde então o aluguel não está sendo pago. A promotoria de Defesa do Patrimônio Público questiona a constitucionalidade de duas leis municipais que autorizaram repasses de recursos para os camelôs mas que estariam ferindo, entre outras coisas, o princípio da livre concorrência. A liminar concedida em primeira instância está sendo questionada pelo Município no Tribunal de Justiça.
O atual secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, que foi o responsável pela transferência dos camelôs quando era presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), disse desconhecer a proposta feita aos comerciantes, mas considerou que seria muito prematuro um debate dessa magnitude por dois motivos: ''Primeiro, porque é período das festas de final de ano; segundo, porque é período eleitoral''. Ele afirmou que irá sugerir que essa discussão aconteça apenas após a conclusão do segundo turno das eleições, em 31 de outubro. Quanto à questão dos aluguéis atrasados, Sella observou que acredita que o Município conseguirá reverter a decisão ''porque o juiz foi levado a erro''.

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