Camelódromo começa a voltar à rotina
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segunda-feira, 16 de julho de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os camelôs começaram ontem a procurar a Receita Federal para tentar reaver as mercadorias apreendidas na última quinta-feira durante operação contra a pirataria no Camelódromo Central. Poucos, no entanto, comprovaram a regularidade fiscal. Mesmo assim, boa parte dos 316 boxes reabriram ontem: alguns com um bom estoque, outros nem tanto, mas todos garantindo que vão continuar na atividade.
O delegado da Receita Federal, Sérgio Gomes Nunes, informou que dos oito ambulantes que estavam agendados para ontem, quatro haviam comparecido até o meio da tarde. Alguns conseguiram recuperar parte dos produtos, depois de apresentarem notas fiscais de compras. Mas ele antecipou que muitos não deverão comparecer até o depósito da Receita ''porque alguns produtos são flagrantemente ilegais''.
Além de grande quantidade de mercadoria falsificada - principalmente CDs e DVDs - a Receita detectou, por exemplo, que a etiqueta de muitos bonés apresentava número de CNPJ falso. ''Provavelmente, quem comprou nem sabia disso mas mesmo que ele apresente nota fiscal, a mercadoria não será liberada'', comentou. Os fiscais encontraram também toca-CDs para autos usados sendo vendidos como novos. Quem não conseguir comprovar a regularidade fiscal será autuado e terá 20 dias para se defender. A Polícia Federal também será informada para investigar a existência de crime. As mercadorias não procuradas ou cujo proprietário não for identificado, serão repassadas para a União. Posteriormente, serão destruídas ou doadas.
As 2,5 mil caixas com produtos apreendidos foram armazenadas em um barracão e em cinco containêres. Quatro dessas caixas pertenciam à uma ambulante, que preferiu não se identificar. Ela não conseguiu reaver cerca de R$ 3 mil em lingeries porque apresentou notas fiscais de compras feitas no Brasil para ''legalizar'' mercadorias vindas do Paraguai. ''As lojas da Rua Sergipe inteira vendem o que eu vendo e fazem o que eu faço. Mas lá ninguém vai fiscalizar'', reclamou. ''Não tiro a razão de ninguém mas a gente também precisa trabalhar'', afirmou. Emocionada, ela disse que ''precisa tentar continuar trabalhando para sustentar a família''.
O mesmo desejo de se manter na atividade já podia ser percebido ontem no Camelódromo. Muitos ambulantes já estavam com lojas abertas e com mercadorias à venda. Quem visitou o principal ponto de comércio popular do centro já encontrou cópias de CDs e DVDs, tênis de marcas famosas, além de outros produtos. O presidente da associação do Camelódromo, Rogério Gonsales, adiantou que conseguiram repôr os estoques aqueles ambulantes que tinham ido fazer compras no dia da operação ou quem recebeu mercadorias após a ação da Receita e Polícia federais.
Gonsales garantiu que os camêlos vão retomar suas atividades. ''Quem veio da rua, tem muita força de vontade, garra. Aqui todo mundo tem que trabalhar, não tem outro jeito'', concluiu.


