Um grupo de vendedores de cartões-transporte que atuava no Terminal Urbano procurou a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ontem para tentar negociar um prazo para venda de todos os bilhetes eletrônicos que já estão em seu poder. Como resposta, ouviram que por não se tratar de uma atividade legal, não há o que ser negociado.
De manhã os cambistas foram até a Câmara de Vereadores e foram recebidos pelo vereador Sidney de Souza (PTB), que sugeriu que fosse formada uma comissão para negociar com a CMTU. ''Estamos pensando em formar uma associação de cambistas. Se eles (CMTU) consideram nosso serviço ilegal, que legalizem. Não nos recusamos a tirar alvará e pagar tributos, se for preciso'', informou Laurita Pereira, que vende passes em frente ao terminal há seis anos.
Segundo ela, a renda obtida pelos cambistas é similar à dos trabalhadores do comércio. ''A diferença é que faço o meu horário e tenho tempo para cuidar dos meus filhos.'' A vendedora afirmou que ao todo são 65 vendedores atuando no local, que compram cartões-transporte de funcionários de empresas que recebem o benefício mas se utilizam de outra forma de transporte. O valor de venda é inferior ao cobrado pelo sistema (R$ 2,00), e o lucro líquido, dizem, é de R$ 0,30, em média, por passagem.
A principal reclamação dos cambistas é que foram pegos de surpresa, justamente em uma época do mês em que a população tem mais dinheiro e costuma vir mais vezes para o Centro, recorrendo ao comércio paralelo para comprar passes. ''Precisamos de pelo menos um mês para podermos comercializar os cartões que estão em nosso poder'', queixou-se Davi Pereira da Silva, que comercializa passes há 11 anos.
O presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, não recebeu os cambistas, e informou à imprensa que está descartada a volta de qualquer tipo de comércio informal no terminal. ''A exploração comercial de qualquer prédio público exige a abertura de processo licitatório. A CMTU não reconhece a figura dos cambistas. O direito ao vale transporte é pessoal e intransferível. Portanto a atividade destes vendedores é ilegal'', disse, lembrando que cabe ao Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho o papel de fiscalizar a prática irregular.
Segundo Yamamoto, a decisão de retirar ambulantes e cambistas do terminal foi tomada agora por causa da instalação 42 câmeras de vigilância no local. ''Estamos implantando o sistema de segurança e a presença de vendedores confunde os profissionais responsáveis pelo monitoramento do local.'' Yamamoto informou ainda que a CMTU está estudando a possibilidade de alugar alguns espaços no terminal - inclusive para caixas eletrônicos de bancos -, mediante licitação.

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