Cambistas 'inovam' na venda de passes
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A criatividade é a principal carta na manga dos cambistas que sobrevivem com a venda de créditos de Cartão Transporte nas proximidades do Terminal Central de Londrina. Para cada medida tomada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), novas formas de comercialização são inventadas. A mais recente é o uso de garrafa para içar os cartões de dentro do prédio.
A operação exige a participação de duas pessoas. Uma entrega o cartão para o usuário e recolhe o dinheiro. A outra o recebe e devolve através da PET, que fica pendurada numa grade do terminal. A vantagem para o usuário é pagar um valor menor. Enquanto a passagem custa R$ 2,00 nas catracas oficiais, o preço na mão dos cambistas varia de R$ 1,50 a R$ 1,90.
A reportagem tentou conversar com os cambistas, mas muitos deles não quiseram falar. Outros comentaram a situação, mas pediram para ter as identidades mantidas em sigilo. Segundo eles, a atuação não prejudica os usuários porque só compra a passagem deles quem quer. Também declararam que o trabalho não prejudica os usuários que preferem deixar o dinheiro do passe nas roletas do terminal.
Para o coordenador de transportes da CMTU, Wilson Santos de Jesus, a origem da ''fraude'' está na omissão das empresas que fornecem o vale-transporte para funcionários que não usufruem do benefício. E são esses cartões que, na maior parte das vezes, vão parar em poder dos cambistas.
''O que ocorre é uma banalização do benefício e que é lesado é o sistema. E só existe uma empresa autorizada a comercializar os passes'', salienta Jesus.
A nova forma foi inventada para manter a venda dos cambistas após a colocação de grades nas entradas do terminal, que passaram a impedir o acesso dos cambistas.
Essas mesmas grades, por outro lado, estão gerarando reclamações de usuários. Os problemas são a largura da roleta, considerada inadequada para gestantes e obesos, por exemplo, e a suposta dificuldade para quem entra no corredor errado.
Wilson de Jesus informou que portões nas grades servem de escape para quem entrou em local errado. O Corpo de Bombeiros informou que o Terminal Urbano não apresenta problemas no quesito saída de segurança, independentemente das medidas dos corredores.
Um funcionário da empresa de transportes coletivos também fica no local para orientar os usuários e liberar o acesso pelo portão para quem tem dificuldades de acesso.


