Cambezinho pode ser recuperado
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terça-feira, 07 de novembro de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A degradação ambiental na bacia do ribeirão Cambé - como mostrou reportagem publicada neste domingo pela Folha - é fruto de um conjunto de problemas: escassa fiscalização por parte de órgãos públicos; ausência de ações educativas; inadequação da rede de galerias pluviais; pouca consciência ecológica da população; poluição industrial; ocupação de mata ciliar; entre outros.
A avaliação acima é feita pela maioria dos ambientalistas ouvidos pela reportagem. A reportagem de domingo mostrou que o 'Cambezinho' convive com a poluição difusa e industrial em seus 21,5 km de extensão. O ribeirão Cambé é o principal rio urbano de Londrina e recebe na parte final os resíduos de duas estações de tratamento de esgoto da Sanepar.
Monitoramento realizado pelo IAP mostra que a água, nos trechos em que o ribeirão forma os lagos Igapós 1,2,3 e 4, está ''criticamente degradada''.
A promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, acredita que a reversão do quadro depende de uma ''reunião de esforços''. De acordo com ela, o poder público falha ao manter uma rede de galerias inadequada, o que contribui para carregar todo tipo de lixo urbano para os fundos de vale e rios da cidade. Ela acredita que o trabalho iniciado por Ongs ambientalistas pode contribuir para melhorar o quadro.
O presidente da Ong Patrulha das Águas e assessor de recursos hídricos, João Batista, acredita que o principal problema ambiental de Londrina é a poluição difusa - conceito que engloba o direcionamento da água de chuva e da água utilizada nas casas, para os rios.''No caminho, todo tipo de lixo é levado junto'', conta.
Segundo ele, a conscientização da população é fundamental para aumentar as áreas verdes dentro das residências e diminuir o volume de água levado para os rios. ''Se a gente pensar em grandes poluidores, são 20 ou 30 na bacia do Cambé. Já os pequenos poluidores chegam a 30 mil''.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina, Carlos Alberto Hirata, também acredita que o combate à poluição difusa deveria ser prioritário. ''Os órgãos ambientais estão mudando sua cultura. A implantação de estratégias de ação a partir das bacias hidrográficas vai incentivar esse trabalho''.
O presidente da Ong MAE, Gustavo Marconi, disse que a recuperação de qualquer bacia hidrográfica é um processo que vai além do curto prazo.''Precisamos de mais investimentos públicos e evitar a liberação de empreendimentos sem análise prévia'', afirmou. A ong MAE deve iniciar nas próximas semanas um projeto de recuperação da mini-bacia do Córrego Água Fresca, um dos afluentes do Cambezinho.


