Cambé testa telefone público viva-voz
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Benê Bianchi 
Josoé de CarvalhoNovidade na linhaPereira e Pietro mostram o viva-voz, criado após cinco anos de pesquisa: contra vândalos e micróbiosFalar num telefone público sem ter que entrar em contato com o monofone já é uma realidade. Pensando em assegurar melhores condições de higiene aos usuários e diminuir o índice de vandalismo, os administradores de empresa Antônio Roberto Pereira e Adoniro Prieto Mathias, ambos funcionários da Telepar, inventaram o telefone público viva-voz.
Após cinco anos de pesquisa, o aparelho - desenvolvido pela empresa Equitel, de Curitiba - vem sendo testado com sucesso em várias cidades do Paraná. Por enquanto, há apenas um aparelho, que hoje estará funcionando em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina).
Segundo os inventores, a idéia surgiu, em primeiro lugar, porque eles próprios são usuários de telefones públicos. O aspecto de saúde e de higiene sempre nos preocupou, comenta Antônio Roberto Pereira. Segundo os inventores, até fezes são encontradas dentro dos monofones que chegam à oficina da Telepar.
Recentemente, um teste microbiológico realizado no Rio de Janeiro - e divulgado num programa de televisão - mostrou um alto índice da bactéria estafilococos em um telefone público. A bactéria, entre outros problemas, pode ocasionar diarréia grave e disfunções respiratórias.
O outro aspecto que incentivou o desenvolvimento da pesquisa - o vandalismo - também é um problema com o qual os inventores têm contato diário. Eles são responsáveis pelo almoxarifado da empresa em Londrina. E acompanham de perto a necessidade de reposição de aparelhos. Constatamos que 31% dos casos de vandalismo se concentram no monofone, informa Pereira.
Ele observa que há anos o monofone era ligado ao aparelho apenas por um fio. Com o passar dos anos, passou a ser encapado com aço escovado e hoje chega a ter corrente e cabo de aço, para que não seja arrancado.
O maior problema com vandalismo não é perda de receita para a empresa, afirma Pietro Mathias. O telefone público tem um cunho social e existe para dar lucro. O prejuízo é para a própria comunidade, que fica sem o telefone, ele acrescenta. Mas o valor de um aparelho é bastante considerável. Segundo os administradores, cada telefone público custa cerca de R$ 800,00.
Os inventores apontam outras vantagens do telefone público viva-voz: a possibilidade de o usuário fazer suas anotações durante a conversação, já que estará com as mãos livres. Além disso, há a possibilidade do usuário ajustar o volume do aparelho para melhor nível de recepção da mensagem. E, ainda, o fim do uso da corrente de segurança e de proteção do monofone.
Os custos para o desenvolvimento do projeto foram pagos pela Telepar. Segundo Pereira e Pietro, o valor não foi superior a R$ 3.500,00. Isso não significa que o preço final do aparelho será esse. Calculamos que o preço final de cada aparelho para a produção em escala fique bem inferior ao preço de um aparelho tradicional, diz Pereira.
Eles não têm previsão do preço final de cada aparelho, mas consideram que haverá diferença - para menos - porque a tecnologia empregada é a mesma e não será necessária a utilização de vários acessórios. Entre eles, o atual conjunto de transmissão/recepção do aparelho, composto por monofone, cápsulas receptoras e transmissoras, cabo, cordão, fios e suporte de repouso do monofone; e acessórios e adaptações de segurança do monofone feito, atualmente, pelas empresas de telecomunicações.
Segundo os inventores, a redução do custo final do produto permite ao fabricante vantagens na concorrência com os modelos convencionais disponíveis no mercado. Eles informam que duas empresas nacionais (uma delas é a Equitel) e duas internacionais - uma da França e outra do Canadá - mostraram interesse em produzir o viva-voz público.


