Cambé terá centro feminino de recuperação
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cambé O Centro de Recuperação Vida Nova (Cervin) está bem perto de realizar um sonho. Com apoio da prefeitura de Cambé (13 km a oeste de Londrina), a entidade aceitou o desafio de criar na região o primeiro centro de tratamento para mulheres dependentes de drogas e álcool. Há 20 anos, em uma unidade situada na zona rural de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), o projeto privilegia a recuperação de adolescentes, jovens e adultos do sexo masculino. ''Era um sonho de mais de 15 anos. Durante muito tempo, chegamos à conclusão que a região precisava de um centro de tratamento feminino. E, na minha avaliação, o problema atinge da mesma proporção homens e mulheres'', avaliou o coordenador administrativo do Cervin, Edson Antonio Galvan.
A unidade feminina vai funcionar em uma chácara de seis mil metros quadrados localizada na Bratislava, distrito de Cambé. Com duas casas, uma edícula, piscina, hortas e pomar, o local passa atualmente por um processo de readequação para atender 10 mulheres na primeira etapa do projeto. Um alojamento com banheiros também será construídos. A partir de 2005, com ajuda de entidades filantrópicas, o Cervin pretende construir oficinas de corte e costura, artesanato e informática. ''Estas atividades funcionam como terapias, que auxiliam na recuperação, trabalhando o caráter e a disciplina do dependente'', explica.
O centro receberá apoio logístico e financeiro da prefeitura de Cambé. Segundo a psicóloga da Secretaria de Ação Social, Maria Cristina Orcelli, o município se comprometeu a injetar mensalmente cerca de R$ 2 mil. ''Estaremos ajudando na manutenção do projeto, com o direito de preencher algumas vagas disponíveis. É um programa interessante porque atende as necessidades de internação da região'', disse a psicóloga.
Enquanto as obras de revitalização estão em andamento, o coordenador disse que o centro não terá condições de cadastrar mulheres interessadas em aderir ao programa de reabilitação química. Galvan acredita que até a segunda quinzena do mês de agosto ou, no mais tardar, até setembro, a extensão feminina do projeto estará inaugurada.
Em Rolândia, o centro atende atualmente 50 dependentes, com idade a partir de 12 anos. Os recursos são oriundos de várias fontes, entre elas uma entidade filantrópica da Alemanha. O centro também está cadastrado no Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) e mantém convênios com as prefeitura de Cambé e Rolândia. ''Também recebemos doações de familiares, mas ninguém é obrigado a nada. O tratamento é gratuito, só aceitamos contribuição de famílias que têm condições financeiras de ajudar'', observou.
O Cervin possui quase 30 funcionários, muitos deles essenciais no trabalho de recuperação, como psicólogos, assistente social, pedagogo, médico e educadores. Para a unidade de Cambé, o coordenador disse que irá contratar monitoras com especialização na área de tratamento de dependentes químicos.


