Cambé tenta reabir hospital
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
A reabertura do Hospital Londrina, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), fechado desde 1997, pode custar R$ 5 milhões. A avaliação preliminar foi feita ontem por uma comissão composta por membros da Associação Cambeense de Proteção aos Direitos à Saúde, secretaria municipal de saúde e vereador Osvaldo Cândido (PPB) de Cambé, representantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e da empresa Golden Cross, dona do prédio. O administrador do hospital, Edilson Alves da Silva, afirmou que a empresa quer R$ 3,5 milhões pelo prédio. As reformas necessárias para o funcionamento, segundo a comissão, ficariam em torno de R$ 1,5 milhão.
Para a arquiteta Mariluz Gomez, convidada pela comissão para elaborar a avaliação prévia, o maior problema do hospital é a obsolência em relação à legislação. Inaugurado em 1980, o Hospital Londrina, de 9,7 mil metros quadrados e cerca de 180 leitos, não está preparado para controle de infecção e segurança. Não há pias para lavar as mãos em nenhuma das enfermarias. O piso dos quartos, de madeira, não podem ser usados porque favorece a contaminação, afirmou a arquiteta.
Segundo Mariluz, a reforma pode detectar novos problemas, como caixas de água e encanamento inadequados. A arquiteta explicou ainda que o sistema de ar condicionado do centro cirúrgico propicia a propagação de bactérias e infecção hospitalar, por acúmulo de sujeira nos dutos.
De acordo com o presidente da Associação Cambeense, Cecílio Araújo, dinheiro para aquisição do prédio não é problema. Sempre se diz que não há verba, mas quando há interesse por parte do poder público o dinheiro aparece. Segundo Araújo, a prefeitura de Cambé deve falar às claras com a população, que deve ser informada sobre a viabilidade ou não da reabertura do hospital. A prefeitura insiste que somente a Santa Casa de Cambé dá conta de atender, mas a realidade não é bem essa, avaliou.
Na opinião do líder comunitário, a sociedade precisa de um hospital para ser atendida com dignidade. O paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo Araújo, leva meses para conseguir uma consulta com especialista e chega a ser atendido em corredores. Uma parceria entre os governos municipal, estadual e federal viabilizaria a reabertura do hospital, afirmou Araújo.
Para o vereador Osvaldo Cândido, o hospital tem um espaço ideal, que deve ser aproveitado. Segundo o vereador, 80% das despesas serão com limpeza e pintura. É um espaço considerável e está em bom estado, comentou.
A representante do Cismepar, Adagilsa Vieira da Silva, informou que o consórcio está providenciando a contratação da arquiteta para formular o parecer técnico definitivo, inclusive com orçamento das reformas. O piso e as paredes da ala ambulatorial do prédio estão com sérias infiltrações devido a problemas na calha.


