Cambé teme nova epidemia de dengue
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Cambé - O município de Cambé (Norte) se prepara para enfrentar a época mais crítica do ano para o controle da dengue e tentar evitar novo surto da doença. No último verão, o número de casos confirmados saltou de sete para 381. O principal temor dos agentes do Setor de Vigilância em Saúde é que, se a população não fizer sua parte e bloquear a ação do mosquito Aedes aegypti, serão grandes as chances de dengue hemorrágica no município. Cambé é um dos municípios atendidos pela 17 Regional de Saúde que apresenta maior número de casos de dengue.
Além de aderir ao Dia Nacional de Mobilização e Combate à Dengue, comemorado no dia 24 de novembro, a prefeitura vai inaugurar, nos próximos dias, um depósito de pneus para concentrar todo o material hoje espalhado nas borracharias e depósitos improvisados da cidade. ''O local está praticamente definido. Vamos acertar tudo nos próximos dias'', informou a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, Maria de Brito Lô Sarzi.
Atualmente o município tem 1.448 casos suspeitos e 385 casos confirmados. ''Não descartamos a possibilidade de um novo surto nos meses quentes e chuvosos, mas estamos trabalhandos diurtunamente para evitá-lo'', informa a diretora. Ela explica que além das ações de rotina preconizadas pelo Ministério da Saúde estão sendo desenvolvidas atividades estratégicas, como visitas a locais que concentram grande número de pessoas - a exemplo de escolas e fábricas - e eventos como o da próxima sexta-feira, com vários estandes montados no Calçadão para conscientizar a população sobre o perigo de uma epidemia.
''Antes a nossa preocupação era só com os meses mais quentes, mas este ano tivemos casos registrados também no período entre junho e setembro. Estamos percebendo que o mosquito está bem mais resistente'', argumenta Maria. Segundo a diretora a região que registrou o maior número de casos até agora foi a Zona Norte (80%). ''Os vasos com água acumulada ainda são os principais criadouros do mosquito. Também há casos de pessoas que jogam lixo capaz de acumular água pelas ruas. Todos precisam saber que uma casquinha de ovo ou tampinha de garrafa pode se tornar um criadouro'', diz a diretora.
O município conta hoje com 47 agentes que visitam diariamente casas, empresas e escolas, além da equipe de educação em saúde e das equipes do Programa Saúde da Família. ''Estamos fazendo de tudo para conscientizar a população do perigo de uma nova epidemia, porque se isso acontecer com certeza teremos casos de dengue hemorrágica'', afirma a coordenadora da equipe de agentes da área central, Célia Koyama.
Na casa da professora Maria Antonia Domingos os agentes sempre encontram pratos sob os vasos. Todos, porém, devidamente secos. ''Sou eu mesma que molho, e depois de uns minutinhos vou lá e escorro toda a água. Também recomendo que a diarista faça o mesmo na casa dela. É uma questão de saúde pública e de cidadania.'' Ela conta que mesmo antes da infestação pelo mosquito da dengue tinha este tipo de cuidado. ''Além de cuidar da minha casa, ainda denuncio quando vejo alguma coisa errada por aí'', avisa.
Na residência vizinha, do aposentado Antonio Domingos Mantovani, a equipe encontrou os pratos dos vasos cheios de areia e as garrafas viradas para evitar a entrada da água. Para seu Antonio estes são cuidados simples, que não dão trabalho. ''Se todo mundo fizesse sua parte, seria fácil resolver o problema.''


