Lino Ramos Especial para a Folha
A Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos à Saúde reclama a ausência da Câmara de Vereadores e da Secretaria Municipal de Saúde na luta pela reabertura do Hospital Londrina. O hospital foi desativado em dezembro de 97, deixando de oferecer 200 leitos a pacientes particulares.
Durante a reunião realizada anteontem, na Câmara de Vereadores de Cambé (13 km a oeste de Londrina), os 15 participantes decidiram pedir ajuda à Associação Médica de Londrina para pressionar o Estado a transformar a instituição em hospital público. O presidente da Associação Médica de Londrina, Pedro Garcia Lopes, entende que essa é uma questão pertinente a Cambé, mas adianta que a entidade está disposta a ajudar.
Em Cambé, somente a Santa Casa atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital São Francisco, que também era credenciado ao SUS, fechou há dois anos.
Participaram do encontro as pastorais Operária e do Migrante, o vereador londrinense Tercílio Turini (PSDB) e o deputado Federal Florisvaldo Fier (PT). A presidente da Associação dos Direitos da Saúde, Maria Anideji de Mello, disse que convidou os vereadores da cidade, mas nenhum apareceu. ‘‘Há uma semana eu passei na Câmara e convidei os vereadores e nem o presidente apareceu’’, lamentou.
Segundo ela, a comissão quer provocar uma ampla discussão porque a saúde pública em Cambé é crítica. ‘‘Só existe a Santa Casa, mas é tanta gente que nem chega a esfriar o leito e já chega outro doente’’.
O presidente da Câmara de Vereadores de Cambé, Cícero Aparecido Teixeira, argumenta que foram as próprias lideranças que não incluíram os vereadores na Comissão em Prol do Hospital. ‘‘Não fui à reunião porque tinha um compromisso familiar’’, justificou.
De acordo com Teixeira, a Câmara não está ausente dessa discussão e defende a reabertura do Hospital Londrina. O vereador enviou à Folha cópia de um requerimento encaminhado ao ministro da Saúde, José Serra, e ao governador Jaime Lerner (PFL), em 16 de março. O documento informa as autoridades que o hospital foi desativado há 18 meses e sua estrutura poderia ser aproveitada para aliviar o setor.
Já o secretário municipal de Saúde de Cambé, Antônio da Silva Freitas, chegou tarde ao encontro, que começou às 9 horas. ‘‘Confundi o horário e cheguei às 11 horas’’, disse. Ontem, o secretário estava em Curitiba em companhia da chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedis Garrido, e teria um encontro com o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio. Freitas disse que iria pedir ao secretário um estudo sobre o Hospital Londrina.
Segundo ele, a prefeitura também analisa a transformação do Hospital São Lucas (instituição particular que também fechou) num pronto-atendimento 24 horas. ‘‘Seria um serviço intermediário entre o posto de saúde e o hospital’’.
Em relação ao Hospital Londrina, Antônio de Freitas comentou que o gasto com sua manutenção era de R$ 250 mil em dezembro de 97, quando foi desativado. A reativação do hospital custaria três vezes seu valor patrimonial, orçado entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.

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