Érika Pelegrino
De Londrina
Para muitas pessoas o animal de estimação é parte integrante da família e merece cuidados como qualquer outro membro da casa. O tempo de convivência faz com que sejam criados fortes vínculos de afetividade. Se em vida estes bichinhos são tratados a base de carinho, boa comida, camas especiais entre outras regalias, depois de mortos o tratamento não pode ser menos digno.
Algumas vezes a morte pega os donos de surpresa e eles ficam sem saber que destino dar ao corpo do animalzinho. A idéia de vê-los jogados em qualquer canto, em meio de lixo, ou em valas comuns torna a experiência da perda muito mais dolorosa.
Movidos por estes sentimentos, muitos ficam inconsolados e procuram um lugar onde possam dar um enterro decente aos companheiros de anos. Mais que isso, querem saber onde estão seus bichanos, querem ter um lugar de referência onde possam ir quando a saudade tornar insuportável; o que acontece principalmente no primeiro mês após a morte do animal.
O alento para estas pessoas veio através de Clodovir Manoel Zanini, 59 anos, que há três anos criou, em Cambé (13 km a oeste de Londrina) um cemitério para animais. Gerente de produção de uma grande empresa, Zanini sofreu um enfarte e pouco tempo depois, em 1990, a empresa onde trabalhava fechou. Ele decidiu que era hora de mudar de vida. Proprietário de um sítio, montou um canil, influenciado pela filha veterinária. Em seguida, a esposa resolveu fazer um hotel para animais, também na propriedade.
O contato com pessoas que tem relações especiais com seus animais de estimação plantou uma idéia na mente de Zanini, o cemitério para animais. Há três anos ele inaugurou o lugar, também no sítio que passou a se chamar Albi’z Zoo Complex.
Num local tranquilo, muito bonito, cercado por ávores, pode-se ver inscritos em pequenas lápides de cimento a identificação dos hóspedes eternos: Pacato, Duquesa, Argos, Rudi, entre outros. O primeiro a ser enterrado no cemitério foi Bendji. Um cachorro nascido em 18 de março de 1985 e morto em 18 de junho de 1997.
A procura não foi tão grande quanto Zanini imaginava. Em três anos, o cemitério conta com 46 covas ocupadas. O movimento maior aconteceu este ano, quando 29 animais foram enterrados. As valas para os de grande porte possuem um metro de profundidade para evitar a exalação de odores e um metro por 80 cm de largura.
Os bichos de pequenos porte ganham valas circulares, também com um metro de profundidade, e 50 cm de diâmetro. Embalados em mantas de malha, os bichos são enterrados, muitas vezes, diante do pranto de seus donos. Alguns preferem não presenciar a terra caindo sobre o corpo de seus companheiros, não suportariam a dor. Voltam mais tarde depois que a lápide de cimento devidamente identificada – nome, data de falecimento e em alguns com data de nascimento – é colocada.
Zanini explica que não utiliza plástico para embalar os animais por não ser biodegradável e, consequentemente, agredir o meio ambiente. Ele não faz o papel do coveiro, seu secretário tem esta incumbência, mas nem por isso não se comove com a dor de quem enterra seu bicho de estimação. Está sempre pronto para escutar um desabafo e paciente ouve todas as histórias referentes ao animal que acaba de ser enterrado.
Na hora do desespero, muitas vezes a pessoa não tem como transportar o corpo do animal até ao cemitério. Zanini pega seu carro e vai buscar o bicho. ‘‘Não tem jeito, a gente se envolve e acaba ficando sensibilizado com a situação’’, afirma. Todo esforço é feito para tentar minimizar a dor do dono. ‘‘Quando a gente vê que a pessoa está sofrendo muito em ver o bichinho ser enterrado, procuramos colocar em um cesto, para dar uma idéia de conforto, isto só é possível com animais de pequeno porte’’, afirma.
Embora a procura não seja muito grande, as pessoas que buscam o serviço têm tal apego aos seus animais que retornam várias vezes para visitar o túmulo. Zanini conta que já está ampliando a área para dois mil metros quadrados. O enterro sai por R$ 50,00 no primeiro ano. Depois, se a pessoa quiser renovar por três anos, passa a pagar uma taxa anual no mesmo valor.
Informações sobre o cemitério de animais podem ser obtidas na Rodovia Celso Garcia Cid, Km 86, ou pelo telefone (43) 972-0887.

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