Cambé - Mesmo sendo considerada uma cidade de pequeno porte, que atualmente tem cerca de 100 mil habitantes (20% da população londrinense), Cambé também está enfrentando o aumento da criminalidade. Até ontem foram registrados nove homicídios no município 50% a mais do que o total constatado nos dois primeiros meses do ano passado, quando foram de seis assassinatos. Ao todo, em 2002, foram 27 crimes com morte.
Anteontem, por volta das 22h50, o menor A.A.S.N., 15 anos, foi morto com uma facada na garganta. Momentos antes do crime, ele estaria jogando videogame com dois amigos quando foi chamado para atender uma pessoa na rua, que seria o principal suspeito do crime. Na casa, estava sua avó que, devido à deficiência visual provocada por diabetes, não conseguiu dar mais informações sobre as pessoas que estariam com a vítima antes do crime.
A mãe do adolescente também mora na casa, mas estava na igreja no horário do homicídio. O crime aconteceu na Rua Antônio Vicentim, 392, na Vila Queiróz. O velório da vítima estaria sendo realizado em São José dos Pinhais, onde morariam outros familiares.
Para o comerciante Lírio Padoan, que mora em Cambé há 42 anos, a situação está ''absurda''. ''Acho que a polícia está cumprindo o seu papel, mas depois a Justiça não pune como deveria os bandidos, que acabam soltos'', defendeu. O adolescente Jeferson Danilo de Oliveira, 17 anos, tem medo de sair à noite: ''Cambé está uma cidade perigosa. Procuro sempre andar em grupos e acho que as drogas são o principal motivo para essa violência''.
O delegado Antonio do Carmo avalia que a proximidade com Londrina não seja motivo para contribuir com o aumento da criminalidade. ''A maioria dos crimes envolve autores e vítimas de Cambé mesmo'', disse. O envolvimento dessas pessoas com atos criminosos anteriores é um ponto comum dos casos, acrescentou Carmo. ''Não há ética nem valorização da vida. As pessoas estão matando por motivos banais'', comentou.

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