Cambé sofre com hospital superlotado
Mauricio Della Barba
De Londrina
A Santa Casa de Cambé (14 quilômetros a oeste de Londrina) está enfrentando sérios problemas com a falta de vagas para atender a população da cidade. Vários pacientes estão sendo atendidos de forma precária, em macas e leitos improvisados, ou encaminhados para hospitais de Londrina, que também passam pela mesma dificuldade.
A denúncia de superlotação foi feita ontem pela presidente da Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos à Saúde, Maria Anideje de Mello, que já acumula inúmeras reclamações da população sobre o problema. A situação é caótica e absurda. Doentes estão sendo mandados de volta para casa por falta de vaga, disse a presidente.
Na última semana, dois casos revoltaram Maria Anideje. A aposentada Heloína Alves de Jesus, com crise renal, não pode ser internada na Santa Casa por falta de leito e foi aconselhada a aguardar em casa a liberação de vaga. O estado da aposentada piorou e os familiares apelaram para a presidente da associação, que através de um telefonema à diretora do hospital, Izabel Aparecida da Silva, conseguiu alojá-la. Ela já estava completamente inchada em casa, contou Maria Anideje.
Já Nair Pinheiro da Silva foi encontrada caída na calçada pela filha, depois de tentativa frustrada de consulta na Santa Casa. Nair da Silva estava com pneumonia e foi rejeitada por causa da superlotação do hospital. Mais uma vez, através de reclamação da família, a presidente da associação conseguiu improvisar a internação. Não dá mais para trabalhar através de pressão. É preciso que algo seja feito em Cambé urgente, desabafou Maria Anideje. Todos os fatos estão anotados e assinados pelos pacientes em uma ata feita pela presidente da associação.
A diretora da Santa Casa de Cambé, Izabel Aparecida da Silva, confirmou o estado crítico pelo qual passa o hospital. Estamos lutando com extrema dificuldade. As macas já viraram leitos e quando aparece uma vaga já existem outros 10 pacientes na fila, explicou Izabel.
A Santa Casa é o único hospital de Cambé a atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A média de repasse do SUS é de cerca de R$ 70 mil por mês. Como ocorre com todos os outros hospitais conveniados ao SUS, o dinheiro é insuficiente para cobrir os gastos, disse Izabel. O outro hospital de Cambé, o São Francisco, atende apenas convênios e particulares.
A diretoria da Santa Casa vem há tempo reivindicando ao governo do Estado providências para resolver o problema. A população está certa em reclamar, mas nós não somos os culpados pela situação. As autoridades competentes já estão a par do problema e o que não se vê são decisões, disse Izabel.
Segundo a diretora, o problema de superlotação amenizaria se a Secretaria Estadual de Saúde liberasse uma verba para equipar o novo setor pediátrico da Santa Casa, já construído. Trata-se de uma verba de R$ 50 mil que dobraria nossa capacidade de atendimento pediátrico e liberaria mais leitos para internação de adultos, explicou.
Ontem, a secretaria de Saúde confirmou que a verba já foi aprovada e a liberação do repasse depende da assinatura do governador Jaime Lerner, o que também não tem previsão para acontecer. Além da verba de R$ 50 mil, a secretaria irá enviar, nos próximos quinze dias, um reforço extra para o hospital, como colchões e móveis.





