Cambé sofre com a falta de leitos Arquivo FolhaA líder Maria Anideje de Mello reclama que alguns tipos de exames médicos gratuitos não estão sendo feitos pela prefeitura Em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), a população também sofre com a falta de um bom atendimento na área de saúde. Atualmente, apenas a Santa Casa de Misericórdia presta atendimento de emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), gerando uma demanda muito maior que a oferta no setor. São 53 leitos (destes, 39 liberados para o SUS) para uma população oficial de 85 mil habitantes. ‘‘Há uns oito anos, o município contava com três hospitais atendendo pelo SUS. Hoje, existe apenas um’’, lembra Maria das Dores dos Santos, membro da Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos à Saúde, referindo-se ao fechamento do Hospital Londrina e do pronto-socorro do Hospital São Francisco. Ela lembra que a parte da população que mais sofre com isso são os idosos e crianças. A presidente da Associação, Maria Anideje de Mello, afirma que muitos moradores de Cambé são obrigados a recorrer aos hospitais de Londrina, mas estes, também enfrentando problemas, estão dificultando o atendimento a pacientes de outros municípios. ‘‘Eles estão exigindo encaminhamento médico da cidade de origem.’’ A situação da saúde pública em Cambé é agravada pelo fato de não existir na Santa Casa uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e nem ala pediátrica em funcionamento. ‘‘Hoje nós não temos nem maternidade. E a pediatria, que já está toda montada, não pode entrar em atividade porque precisa de um investimento de R$ 50 mil, que já deveria ter sido liberado desde o final do ano passado’’, diz Maria Anideje. Maria José Gonzaga da Silva sentiu na pele, na semana passada, os problemas gerados pela falta de estrutura no hospital. ‘‘Fiquei das 8 às 13 horas com minha filha de quatro anos no colo, tomando soro’’, conta. Segundo Maria Anideje, exames que deveriam estar sendo feitos de graça no município não são realizados. ‘‘Existem leis municipais que obrigam a realização de ultrassom, por exemplo, a quem não pode pagar. Só que as leis são aprovadas e simplesmente não são cumpridas.’’ Para ela, isto prova o descaso com que a saúde vem sendo tratada em todo o País. O secretário de Saúde de Cambé Antonio Silva Freitas, admitiu que o município vem enfrentando dificuldades por causa da demora na liberação dos recursos esperados para a Santa Casa. Para a pediatria do hospital entrar em funcionamento, é preciso uma verba de R$ 50 mil, para compra de materiais, medicamentos e estrutura para receber as mães. ‘‘Vou amanhã (hoje) para Curitiba para ver se há previsão para a liberação do dinheiro.’’ Freitas explicou que há dois anos e meio a prefeitura repassa R$ 25 mil para atendimento de urgência e emergência. No momento, segundo o secretário, a prefeitura está negociando com o hospital um novo valor, onde deverá ser contemplado o atendimento de ginecologia e obstetrícia 24 horas por dia. (S. L.)

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