Cambé reúne 'fuqueiros' do Brasil
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2003
Guto Rocha<BR>Reportagem Local 
Desde 1994 o Fusca deixou de ser fabricado definitivamente no Brasil, mas o pequeno carro continua circulando nas ruas do País e consegue manter a fidelidade por parte de seus donos. Alguns, que se autodenominam fuscamaníacos ou ''fuqueiros'', têm o carro como um souvenir ou objeto de estimação. Esses aficcionados pelo Fusca estiveram reunidos ontem em Cambé no 1º Encontro do Dia Nacional do Fusca, comemorado no dia 20 de janeiro. O evento foi promovido pelo VW Club de Londrina e Cambé, que reúne 25 fuscamaníacos.
Logo cedo, o membros do VW Club começaram a se agrupar no local do evento com seus Fuscas apesar da chuva insistente. Segundo o presidente do VW Club, Juliano Mendonça, a chuva acabou atrapalhando a programação, que previa até a participação de um trio elétrico para animar o encontro. No ínicio eram cerca de dez carros da marca, mas a expectativa do organizador era reunir até o final do dia ''uns 50 fusqueteiros'' de Londrina e região. ''Estamos esperando o pessoal do Estado de São Paulo'', comentou.
Uma característica comum entre os fuscamaníacos é o orgulho que eles demonstram ao falar sobre o carro e o carinho com a máquina. Juliano Mendonça afirma que a paixão pelo Fusca é uma ''doença'' que contagia. Ele afirma que tem esta ''doença'' desde criança. ''Meu pai tinha um Fusca, e foi nele que aprendi a dirigir'', afirma. Mendonça tem hoje um Fusca caracterizado como o Herbie, do filme de Walt Disney ''Se meu Fusca Falasse''. Mas ele se orgulha ao comentar sobre os acessórios originais de fábrica do carro. ''O friso lateral, pára-choques, vidros, lanternas e botões internos: tudo é original'', afirma.
Outro aficcionado pelo Fusca é o funileiro e pintor Ademir de Souza, dono de um carro do modelo há sete anos. O carro é do ano 1969, mas foi completamente modificado. ''A primeira mudança foi transformá-lo em um conversível, que era um sonho da minha esposa, mas me apaixonei pelo carro e acabei ficando com ele para mim'', afirma. Outra transformação foi a troca do motor original por um motor de Santana 1.8. ''O carro é bastante assediado, onde paro sempre tem curiosos olhando e perguntando se vendo'', comentou.
O bancário Valter Augusto Stutz ainda não faz parte do VW Club mas afirma estar sempre por perto do pessoal do clube. Ele é dono de um Fusca 1973 há 18 anos. ''Mas ele (o carro) está na família há 23 anos. Era do meu irmão, e um dia precisei dele emprestado e me apaixonei, comprei e desde então estou com ele'', afirma. Segundo ele, o carro de estimação divide a garagem com
outros carros que sempre sáo trocado, mas o Fusca não. E a paixão pelo carro já foi passada como herança para o filho Guto, que fala com orgulho sobre o motor 1.700 cilindradas instalado no carro.
Equipar o Fusca com assessórios originais e agregar novidades é o maior passatempo do instalador de som automotivo Marcos Garcia. Ele comprou um Fusca 1974 há dois anos, e de lá para cá o carro já passou por uma série de transformações. A que mais chama atenção é a pintura do carro: o azul original dividi a lataria com um branco perolizado. Ele conta orgulhoso sobre a aquisição de um aerofólio que fez parte de uma série especial produzida em 1968 que ele encontrou em São Paulo. ''Vivo fuçando na Internet para ver se acho novos acessórios'', diz. Ele afirma que quando comprou o carro, pagou R$ 3,8 mil mas garante que já recebeu propostas de até R$ 6,6 mil. ''Mas não vendo. Perco a mulher mas não fico mais sem o Fusca'', brinca.


