Cambé registra terceiro homicídio em cinco dias
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Guilherme Gouveia<br>Reportagem Local 
Cambé O adolescente Douglas Moreira do Santos, de 14 anos, ouviu algumas pessoas gritando o seu nome. Era final de noite e se preparava pra dormir. Quando abriu a porta da sala, foi recebido a tiros. Douglas não teve tempo de correr e morreu em frente de casa. De acordo com a polícia, o garoto não tinha envolvimento com drogas e nem ligação com o tráfico. O crime aconteceu quarta-feira, por volta das 23h30, no Jardim Andaluzia, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). A cidade experimentou neste ano dois meses de singular tranqüilidade não registrou crimes violentos nesse período mas voltou a conviver com a violência que vitimou 37 pessoas no ano passado. Somente nos últimos cinco dias, foram três assassinatos.
O delegado Valdir Abrahão considerou a seqüência de crimes algo inexplicável. Não há explicações para isso. Tivemos uma fase de tranqüilidade e de repente registramos três homicídios em pouco menos de uma semana, lamentou. Ainda assim, o delegado acredita que a situação ainda não fugiu ao controle. Um levantamento feito por Abrahão aponta que metade dos 13 homícios registrados na cidade desde o início desse ano já foi solucionado. Segundo ele, em 2004, apenas um terço dos crimes foi desvendado.
Douglas Moreira morava com os pais na Rua Antonio Jacomel, número 57, no Andaluzia. Em depoimento, a mãe dele disse que o filho não recebeu ameaças nos últimos dias. O irmão mais velho, outro adolescente, de 17 anos, está apreendido na delegacia acusado de participação em furtos residenciais. Abrahão, no entanto, não acredita que a morte de Douglas tenha relação com o problema do irmão. A princípio não há ligações.
Segundo o delegado, duas pessoas chegaram de bicicleta na casa da família e gritaram o nome da vítima. Douglas foi assassinado com pelo menos três tiros. Um deles acertou o tórax. Temos dois suspeitos do crime, dois adolescentes que seriam conhecidos da vítima, mas por enquanto não podemos revelar mais nenhum detalhes, despistou Abrahão. No chão do quintal, a polícia achou um projétil de pistola calibre 280.
O primeiro dos três assassinatos aconteceu na madrugada de sábado. André Santos, também de 14 anos, foi morto com um tiro na cabeça. Três dias depois, um adolescente de 17 anos confessou a autoria e entregou a arma do crime, um revólver de calibre 38.
O segundo homicídio continua intrigando a Polícia de Cambé. Na terça-feira, no Jardim Ana Rosa, o estudante Fernandes Cambuí, de 23, foi atingido três vezes dentro de um carro ao pegar carona de um conhecido.


