Cambé ganha biblioteca para cegos
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Silvana Leão<br>Reportagem local 
Cambé (Norte) deu um importante passo, ontem, na inclusão de pessoas com deficiência visual. Graças a uma parceria do município com o Rotary Club e Organização Brasil Linux foi inaugurada a primeira biblioteca livre do Paraná para cegos, equipada com computadores que interpretam textos e abrigam 2,2 mil títulos digitados. O espaço está localizado dentro da Biblioteca Municipal, no Centro Cultural de Cambé.
A Brasil Linux também produziu uma versão que roda diretamente em uma mídia removível, possibilitando que outras instituições criem bibliotecas semelhantes. A iniciativa foi comemorada por aqueles que convivem com as limitações impostas pela falta de visão.
''É uma iniciativa que deve servir de exemplo para outros municípios'', comentou o estudante Blendon Tomaz Ribeiro, que tinha que recorrer à internet para baixar as obras desejadas ou pedir a conversão em braile nas instituições especializadas, como Instituto dos Cegos de Londrina. ''Mas como nestes locais a prioridade são as obras didáticas, fica complicado conseguir a conversão de obras literárias. A gente acaba ficando meio limitado.'' Mesmo morando em Londrina, Blendon pretende usar a nova biblioteca.
O vice-presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina e Região (Adevilon), Clóvis Pereira, lembrou que o Brasil conta com 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (14,5% da população), e seus direitos estão previstos em lei. Mesmo assim, disse, muitos não conseguem ter suas necessidades respeitadas. ''Nós não podemos mudar a nossa realidade. Quem tem que mudar é a sociedade'', observou Pereira.
Segundo a presidente da Fundação Cultural e Artística de Cambé, Arísia Mendes Gonçalves, por tratar-se de uma biblioteca livre, os ususários não precisarão ter cadastro para utilizar os computadores. ''Eles poderão vir e usar o tempo que quiserem. Os funcionários da Biblioteca foram treinados para auxiliar, caso tenham qualquer dificuldade.'' Ela observou ainda que, se a frequência no espaço for boa, existe a possibilidade de pleitear mais máquinas junto aos parceiros do projeto.


