CRIADOUROS DE MOSQUITO -

Cambé está sem fumacê e com casos crescentes de dengue

Saúde contabiliza uma ocorrência positiva por dia; em alguns bairros índice de infestação chega a 15%

Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

 Cambé - Diferentemente de Londrina, que recebeu mil litros emergenciais do inseticida Malathion para realizar ações pontuais de fumigação contra o mosquito Aedes aegypti, Cambé (Região Metropolitana de Londrina) não recebeu ainda o produto. Enquanto isso, o número de casos confirmados de dengue vem aumentando. Desde o início do ano até o dia 6 de fevereiro a secretaria de Saúde já havia contabilizado 60 casos. O número aponta para pelo menos um caso por dia.  

 

Roselaine Cavelier de Oliveira Lopes: “Desde que fiquei com dengue começamos a procurar mais por criadouros”
Roselaine Cavelier de Oliveira Lopes: “Desde que fiquei com dengue começamos a procurar mais por criadouros” | Vítor Ogawa/Grupo Folha
 


De agosto do ano passado (quando começa o período epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde) até agora, as unidades básicas de saúde notificaram 1.303 casos da doença, dos quais foram confirmados 65. “De agosto até dezembro do ano passado foram cinco casos confirmados, mas de janeiro para cá isso vem aumentando”, aponta Kécia Costa, responsável interina pelo departamento de Epidemiologia de Cambé. 



 

Costa relata que a sua pasta participou de reunião na 17ª Regional de Saúde de Londrina para discutir a realização de ações para tentar aliviar o problema. “Faremos ações conjuntas nas regiões em que os dois municípios fazem limite, com aplicação do inseticida por parte de Londrina”, destaca. Trata-se de um período de transição, já que o Malathion será substituído pelo Cielo, inseticida que será o novo padrão para a aplicação do chamado fumacê. 


Segundo Costa, a responsabilidade de enviar o produto é do governo federal. “O município tem autonomia para comprar o inseticida e o governo não informou a previsão de quando o novo inseticida chegará”, destaca. A quantidade do Malathion enviada para o Estado é insuficiente para atender todos os municípios em vista à epidemia generalizada que o Paraná vem enfrentando no momento. 


O problema é que a disseminação de criadouros pelo território cambeense não está restrita às áreas limítrofes a Londrina. O Conjunto Cristal está com um índice de IIP (índice de infestação predial) de 15,68%, quando o tolerado pela Organização Mundial de Saúde é de no máximo 1%. A Vila Brasil está com IIP de 12,06%, a Vila Operária está com  8,77%, o Cambé V tem um IIP de 7,5% e o Centro de Cambé está com 6,66%.  

  

FUNDO DE VALE 

O Conjunto Cristal tem um fundo de vale que é utilizado como área de descarte irregular. O relevo da região também não favorece, já que objetos lançados na parte alta da cidade acabam sendo carreados para o fundo de vale a cada chuva. O resultado disso é muito lixo espalhado pelo bairro. A reportagem constatou desde garrafas PET, embalagens de produtos de limpeza, sacolas plásticas de supermercado, embalagens de marmitas, entre outros objetos que podem acumular água e que possuem potencial de se tornarem criadouros do mosquito. 


A vendedora Paula Marcelli Manfre de Brito, 36, contraiu dengue há 16 dias. “É uma experiência horrível. Senti muita ardência, dor no corpo, cansaço. Ainda estou um pouco assim”, aponta. Ela confessa que não tinha noção de que poderia ser dengue, pois no início eram os mesmos sintomas de uma gripe, principalmente a dor muscular. “Fui a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e pediram exames para verificar se era dengue. Foi comprovado que era e fui internada na Santa Casa. Minhas plaquetas foram baixando até chegar a 33 mil (Uma pessoa saudável tem entre 150 mil e 450 mil plaquetas)”   A comerciária Roselaine Cavelier de Oliveira Lopes, 50, também contraiu dengue há 18 dias. “Você se sente incomodada porque não passam nenhum fumacê no bairro. A última vez que passaram foi em novembro do ano passado”, reclama. 

 

 

A vendedora Paula Marcelli Manfre de Brito contraiu dengue há 16 dias: "É uma experiência horrível"
A vendedora Paula Marcelli Manfre de Brito contraiu dengue há 16 dias: "É uma experiência horrível" | Vítor Ogawa/Grupo Folha
 


Ela garante que seu quintal é limpo, embora admita que esteja bagunçado. “Como tenho comércio tenho os vasilhames das garrafas. Eu viro todos eles. Não tenho pratos nas minhas flores. Desde que fiquei com dengue começamos a procurar mais por criadouros. Se eu vejo mosquito, já acho que é dengoso. Estou assustada, pois não quero pegar dengue de novo. “ 

 

 

 

COMITÊ DE ENFRENTAMENTO 

A Secretaria de Saúde de Cambé iniciou recentemente uma campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti. Além de convocar todos os representantes da sociedade civil para a formação de um comitê de enfrentamento, as equipes das UBS, em parceria com a Secretaria de Educação, vão realizar reuniões nas escolas municipais para a conscientização e alerta aos pais e alunos.  

“Fizemos uma reunião no dia 29 de janeiro com membros da sociedade civil, representantes das áreas de educação e assistência social, igrejas, defesa civil, bombeiros e hospitais. A partir disso desencadeamos ações como a formação do comitê de enfrentamento da dengue, com representantes das secretarias envolvidas, como educação, saúde e meio ambiente Esses representantes discutirão mensalmente ações de enfrentamento, como a orientação dos alunos nas escolas”, destaca Kécia Costa, responsável interina pelo departamento de Epidemiologia de Cambé. 

 

Ela também enaltece as ações da Secretaria do Meio Ambiente., como mutirões de limpeza nos bairros. “Durante a semana, agentes de endemias passam para avisar sobre o mutirão, para que no sábado seja realizada a coleta do material de forma mais efetiva. Os agentes aproveitam para entregar panfletos e realizam a orientação verbal”, destaca.  

 

Os agentes de endemias também aproveitam e fazem a inspeção do imóvel e removem os focos. “A receptividade está sendo boa. Os principais focos continuam sendo os vasos e o material reciclável no quintal das casas. Muitos moradores também acumulam água da chuva em baldes para reaproveitá-la, mas armazena de forma inadequada”, observa Costa. 

  



O mutirão de limpeza é realizado nos bairros com índice de infestação alto.  Até agora já foram atendidas as regiões do Jardim Santa Izabel, parte do Centro e também o Silvino, de onde foram retirados 18 caminhões de lixo. O Jardim Tupi foi atendido no último sábado e registrou 8 caminhões de lixo. As regiões do Novo Bandeirantes, Ecoville e Campos Verdes receberão o mutirão no sábado (15). 

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Últimas notícias

Continue lendo