Cambé e Rolândia desenvolvem planos de mobilidade urbana
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terça-feira, 13 de junho de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Cambé - Os municípios de Cambé e Rolândia trabalham no desenvolvimento de planos de mobilidade urbana, cujo tema vai além do debate sobre transporte urbano e abrange outras questões, como o uso e a ocupação do solo. A melhoria da mobilidade nas cidades é um enorme desafio aos governantes e uma reivindicação da sociedade. Segundo o censo do IBGE de 2010, mais de 80% da população brasileira vivem em cidades. Nesses dois municípios localizados na Região Metropolitana de Londrina há muitas questões em comum, como a necessidade de melhoria de acessos à cidade e planejamento para melhorar o fluxo do trânsito, que vem sofrendo bastante com o aumento da frota de veículos e a estagnação dos investimentos para novas vias coletoras e estruturais.
Em Cambé, um dos grandes problemas é o cruzamento da rua da Esperança com a BR-369, que possui um intenso movimento, o que torna difícil a travessia de pedestres. "Uma vez um carro quase me atropelou; tinha que construir um viaduto integrado com uma passarela. Isso ajudaria bem", afirma a dona de casa Cícera Quitéria da Silva, 54. Para o contador Antônio Ferreira Sobrinho, 75, que costuma passar de carro na região, por enquanto o semáforo tem dado conta do movimento, mas diz que o ideal seria a construção de uma transposição. A obra de transposição da BR-369 é uma das indicadas pelos urbanistas do Itedes (Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Social), que foi contratado pelas prefeituras de Cambé e de Rolândia para assessorar na elaboração do plano de mobilidade.
Em Cambé o instituto sugeriu diversas intervenções, como essa transposição da rua da Esperança sobre a BR-369, favorecendo o trânsito entre a região central e os bairros da região do Santo Amaro e Novo Bandeirantes. Também foi sugerido o alargamento das ruas Curitiba e Xavantes, que se complementem, melhorando o fluxo na região do Jardim Tupi e Ana Rosa. A prévia do Plano de Mobilidade também prevê ações para amenizar o tráfego de veículos pesados nas vias urbanas, como a criação de ligações nas rodovias e vias para facilitar o escoamento da safra e da indústria.
ESTACIONAMENTO
O plano prevê também a retomada do estacionamento rotativo em Cambé, que há dois anos deixou de funcionar. O lotérico Paulo Hiroyuki Taniwaki, 51, é favorável à instalação de um estacionamento rotativo na Avenida Inglaterra, na área central. Segundo ele, muita gente chega de manhã e deixa o carro ali o dia inteiro, o que acaba prejudicando o comércio, porque não há rotatividade dos veículos.
O secretário de Planejamento de Cambé, Mário Vander Martins Roberto, destaca que todos os problemas analisados pelo plano de mobilidade do município, até por uma questão de direcionamento legal, têm uma visão de melhoria de situação do transporte coletivo. "O foco não é o carro, são as pessoas. O plano de mobilidade irá tratar muito da questão do transporte coletivo a ser otimizado. Queremos que a pessoa deixe seu carro em casa e utilize o transporte coletivo", destaca.
Embora a avaliação prévia do Itedes para o plano de mobilidade urbana indique a construção de mais dois terminais de transporte coletivo (nos jardins Tupi e Santo Amaro), o secretário prefere não entrar no assunto, já que um novo terminal está para ser inaugurado em breve.
Ele ressalta que o plano de mobilidade urbana também irá criar soluções para problemas nos acessos da cidade. "Tanto na avenida José Bonifácio quanto na rua Francisco Delgado Sanches haverá uma atenção especial para a readequação desses trechos. Temos também a questão do contorno Norte, que vamos inserir como diretriz. Apesar de não termos o traçado definitivo, ele será integrado ao nosso sistema viário e dentro de nosso plano de mobilidade", explica.
Mário Vander também aponta que o plano de mobilidade prevê a interligação dos vários núcleos na cidade. "Eles ficam no Ana Rosa, Novo Bandeirantes, Jardim Santo Amaro, e temos os setores Norte, Sul e o Centro. Estamos criando um anel de vias que possam interligar essas regiões sem passar pelas duas rodovias que passam na cidade, que são BR-369 e a PR-445. Basicamente é essa a ideia do plano de mobilidade", aponta. As propostas do instituto estão sendo analisadas pela Secretaria de Planejamento e depois serão apreciadas pela população em uma audiência pública.
Cambé tem 105 mil habitantes e, de acordo com o Detran, possui um frota de veículos de 60.422. Desse total, 51.351 são carros de passeio, caminhonetes e motocicletas.
Captação de dados em Rolândia
O plano de mobilidade urbana de Rolândia está na fase de pesquisa de campo, em que as pessoas são entrevistadas em suas casas e informam quais os horários saem de casa, tipo de transporte que utilizam, entre outros. A partir desses dados serão definidas estratégias de mobilidade urbana. A equipe do Itedes foi até as casas de 750 pessoas de várias regiões da cidade.
A secretária de Planejamento Urbano de Rolândia, Catarina Schauff Zanetti, destaca que os principais problemas que já tinham sido identificados antes mesmo da contratação do Itedes. "O trânsito local possui pontos problemáticos, como os de confluência de vias em horários de pico. Há congestionamentos ou pontos com alto índice de acidentes em locais como na entrada de São Martinho para Rolândia, no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Dom Pedro II, na saída de Rolândia para Londrina", exemplifica.
A secretária aponta ainda que em três horários do dia há duas composições de trem passando pela cidade. Uma dessas composições precisa ficar parada no pátio de manobras, o que impede o cruzamento de veículos, prejudicando principalmente as pessoas que precisam se deslocar da Vila Oliveira e de São Martinho. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Integrado, Dario Campelo, uma alternativa para resolver o problema seria mudar o pátio de manobra e fazer trincheiras em pelo menos dois pontos.
No transporte coletivo a ideia é avaliar, por meio dessa pesquisa com a população, onde há poucos horários, fragilidades e verificar onde tem um adensamento maior. "Em alguns loteamentos novos, como na saída de São Martinho, o povo reclama muito da falta de transporte", antecipa a secretária de Planejamento Urbano.
O secretário informa que o plano de mobilidade prevê a criação de uma autarquia nos mesmos moldes que a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina). "Com isso será possível promover multas, criar vagas rápidas estacionamento por 15 minutos. Vamos contratar agentes de trânsito, fiscais de trânsito, engenheiro de tráfego. Essa estrutura se paga, porque além de melhorar situação do estacionamento, terá a arrecadação da zona verde (estacionamento rotativo) e eventualmente veículos poderão ser multados e a multa fica no município. Hoje a arredação da multa vai para o Estado."
Como a cidade é plana, Rolândia já possui uma estrutura cicloviária e pretende aprimorar ainda mais. "Temos uma grande ciclovia que vai da JBS até a estrada de São Rafael, em frente à Chácara Rolândia; e já temos demarcações no centro da cidade, onde foram criadas faixas para ciclistas. Essa estrutura vai ser remodelada com novos diagnósticos e isso a população pede, porque aqui se anda muito de bicicleta", destaca Zanetti. (V.O.)


