Cambé é arena fértil para o rodeio clandestino
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de novembro de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Definido em lei federal como prática esportiva, o rodeio tem se mostrado uma atividade comercial promissora na cidade de Cambé, Região Metropolitana de Londrina (RML). Mas é justamente o não cumprimento de uma série de aspectos legais que revela um outro lado disso que para muitos, naquela cidade, é uma das poucas opções de lazer disponíveis: o rodeio que se alastra por lá é o do tipo clandestino. Ou, no linguajar do meio, rodeio pirata.
A FOLHA esteve em dois desses eventos, no último domingo, em pontos diferentes do município. Chamam a atenção não apenas a ausência de aparato médico - e vale lembrar que não são poucos os riscos desse tipo de esporte - como também de infraestrutura adequada: é como se apenas a arena com os peões e os touros, mais o público, fossem os aspectos imprescindíveis da festa.
Os rodeios visitados pela reportagem acontecem no terreno de uma chácara no Jardim União, quase às margens da PR-445, e em um sítio na estrada da Bratislava, já próximo à divisa Cambé-Rolândia. Em ambos, o primeiro ponto em comum é a explicação de que se trata de um treino de peões interessados em disputar as provas de um rodeio profissional. Minutos de conversa, porém, deixam escapar que a montaria não apenas rende premiação como também, para montar, é necessário o pagamento de uma taxa - variável entre R$ 20 e R$ 30.
Tanto o público - a maioria das pessoas a caráter, no estilo country - como os peões são de Cambé e de cidades vizinhas. Boa parte vai de carro; vários são de Londrina, onde, explicou um dos peões do Jardim União, rodeio do tipo acontecia, há vários anos, no bairro Jamile Dequech e na Fazenda Refúgio (Zona Sul).
Peão é como formiga, é só cutucar que sai um monte. Eu sou peão desde os 16 anos, na Fazenda Refúgio, conta Bruno Crespo, 28, que, fora dali, é motorista. Se não teme os riscos? A gente fica meio receoso sim, sabe que é uma brincadeira perigosa, mas motocross e paraquedismo também são, compara.
Sanderson Moreira, 25, operador de máquina em Londrina e também peão, conta que o treino ali no União não é mero hobby: ele quer disputar profissionalmente. Já Sadao Maruyama, 55, comerciante ali nas redondezas, assiste a tudo - pela primeira vez, garantiu - com ressalvas. É perigoso, nem ambulância perto tem. Para o salva-vidas de rodeio Luiz Fabiano dos Santos, 26, o Pirilampo, sair de Muritinga do Sul (SP) para o treino em Cambé compensa. É treinar e ir direto para o rodeio.
Um dos sócios do rodeio no União (o outro ele diz ser de Londrina), Sandro Freitas, 31, explica que o local foi armado há dois anos por uma questão de necessidade. Os animais, conta, são dele e do sócio. Como funciona? O pessoal (que monta) faz um bolão e rateia a grana em primeiro, segundo e terceiro lugar, em um total de R$ 150, em média. Ou monta para treinar. Vem mais gente que está começando, mas os animais são a mesma coisa de rodeio de verdade, afirma. A única diferença é o glamur.
Freitas conta que um rodeio desses, ali, rende uma média de 200 a 300 pessoas, com entrada gratuita; frisa que menores de idade não entram na arena e que já houve domingos de se reunirem 25 animais. A organização promove ainda venda de bebidas. Mas nunca tivemos problemas, assegura.


