Cambé e Arapongas utilizam plano de mobilidade para direcionar obras
Prefeitura de Arapongas vê a necessidade de interligações entre bairros; em Cambé destaque para melhorias em vias marginais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Prefeitura de Arapongas vê a necessidade de interligações entre bairros; em Cambé destaque para melhorias em vias marginais
Pedro Marconi - Grupo Folha 
Algumas cidades da Região Metropolitana de Londrina já terminaram a confecção do Plano de Mobilidade Urbana e estão usando os dados para embasar o planejamento de obras e intervenções em geral para melhorar a mobilidade. Arapongas foi um dos primeiros municípios do Norte do Paraná com mais de 20 mil habitantes a ter o documento, que se tornou obrigatório por determinação federal para cidades com população igual a superior ao número. Na semana passada, a FOLHA mostrou que Ibiporã iniciou os trabalhos para a confecção do plano.

Em Arapongas, o plano foi produzido em 2016, se transformando em lei no ano seguinte. O processo ocorreu junto com o Plano de Transporte Público. A proposta analisou todas as linhas do sistema de transporte público urbano, vias de circulação, ciclovias e pontos de embarque e desembarque para ordenar e otimizar o serviço, que foi licitado. “O Plano de Mobilidade ajudou para fazermos a licitação do transporte público, que não era regulamentado. Desde que foi implantado, funcionava a título precário”, destacou Israel Biazon, arquiteto e gerente de Desenvolvimento Urbano da secretaria de Obras de Arapongas.
Em 2015, o MP (Ministério Público) emitiu recomendação para que o Executivo regularizasse o serviço, que vinha sendo prestado pela empresa TUA, seguindo o que assegura a legislação. O edital foi finalizado em agosto, com a mesma empresa ganhando a concessão para exploração do transporte público pelos próximos dez anos. “Agora, estamos seguindo o que foi previsto no Plano de Mobilidade e de Transporte Público, com alinhamento de horários e linhas.”
TRANSPOSIÇÕES
Segundo Biazon, medidas serão adotadas a partir do que foi apontado pela população e estudos do plano de mobilidade. Um dos principais exemplos é a necessidade de interligações entre bairros. “As pessoas que moram em várias localidades precisam passar pelo centro da cidade e isto gera um grande transtorno, principalmente nos horários de pico. Ao longo do tempo vamos conseguir melhorar, diminuindo períodos de jornada e desafogando o fluxo de veículos no centro da cidade”, elencou.
A ideia é pela construção de, pelo menos, seis transposições. Para uma já vem sendo buscados recursos, enquanto as outras estão na fase de projetos. Uma das edificações será sobre o córrego Aimoré, ligando o jardim Morumbi ao residencial Tozzi. Também existe planejamento para transposição para unir os bairros Ulisses Guimarães a Santo Antônio e Santo Antônio a Novo Horizonte. Atualmente está sendo edificada interligação entre o conjunto Piacenza e o jardim Paulino Fedrigo.
PLANO DIRETOR
Arapongas também está finalizando a revisão do Plano Diretor, que vence neste ano. A Fauel (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina) está colaborando prestando assessoria. O plano está no estágio de elaboração de propostas. Foram promovidas duas audiências públicas e uma terceira deverá ser organizada nas próximas semanas. “O Plano Diretor é o ‘manda-chuva’, com os outros planos estando dentro dele. A perspectiva da administração municipal é de que seja votado no início do ano que vem”, projetou.
CAMBÉ

Em Cambé, o Plano de Mobilidade Urbana também foi finalizado em 2016 e serviu como subsídio para as leis complementares do Plano Diretor e Lei do Sistema Viário. Ambas estão tramitando no legislativo da cidade de mais de 106 mil habitantes. “Entendemos o plano de mobilidade como um documento técnico que temos para definir questões dentro do sistema viário, pensando nas formas de transportes alternativos e pedestres. Usamos os dados para elaboração de um quadro de investimentos”, ressaltou o secretário de Planejamento do município, Mário Vander Martins Roberto.
Entre os projetos que poderão ter investimentos direcionados, a partir do que foi apurado no plano de mobilidade, estão melhorias em vias marginais e transposições em desnível em pontos críticos, como a avenida Esperança. “E internamente precisamos oferecer rotas alternativas, com a transposição de ribeirão e vias em fundos de vale, criando alternativas para que o trânsito seja diluído, encurtando distâncias. Muito disso acaba indo pelo centro, que já tem um fluxo intenso”, explicou.
CICLISTAS
Com a cidade sem nenhuma estrutura declarada de forma oficial como ciclovia ou ciclofaixa, o secretário reconheceu a necessidade de mais atenção a este aspecto. Entretanto, reconheceu a dificuldade de construir faixas exclusivas destinadas aos ciclistas nas ruas e avenidas já existentes. “Em locais consolidados é difícil, porque se criar uma ciclovia terá uma série de problemas e não conseguiremos garantir a segurança de ciclistas”, ponderou.
A alternativa seria oferecer este tipo de infraestrutura em novos espaços e loteamentos. “Como o Plano de Mobilidade Urbana fez estudo de deslocamento das pessoas dentro de Cambé, podemos tentar viabilizar esses corredores ao projetar vias futuras, atendendo este público.”


