A população de Cambé (13 Km a oeste de Londrina) terá participação fundamental na decisão sobre a melhor forma de gerenciar os serviços de água e esgoto no município. No final de novembro, vence o atual contrato com a Sanepar, em vigência há 30 anos. Os cidadãos terão que decidir se preferem a renovação do contrato ou a municipalização do serviço. Hoje à noite será realizada a primeira reunião preparatória para a Conferência Municipal de Água, prevista para ocorrer até o início de setembro.
As opiniões colhidas pela Folha mostram que o assunto tende a se transformar em polêmica. O presidente da Câmara de Vereadores, Carlos Roberto Rasteiro (sem partido), afirmou ser favorável à municipalização do serviço. Para embasar sua posição, ele aguarda dados que estão sendo levantados pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), em um trabalho similar ao que foi realizado em Londrina. O estudo trará informações e sugestões sobre o serviço no município.
O presidente do Lyons Clube Cambé Centro, Eglodir Ely Aliano, comentou que em discussões internas da entidade chegou-se à conclusão de que a renovação com a Sanepar é a melhor alternativa, pois o município não teria condições de ressarcir a empresa pelos investimentos realizados. Porém, segundo ele, é necessário discutir alguns pontos, como a tarifa da rede de esgoto. Para ele, cobrar 80% de esgoto sobre o consumo da água é excessivo. ''As classes mais baixas enfrentam dificuldades com essa tarifa'', concluiu.
O prefeito José do Carmo Garcia (PTB) disse ser importante saber o que a população pensa a respeito da qualidade do serviço, das tarifas, da relação com o meio ambiente, entre outros. Ele observou que todos segmentos organizados da sociedade serão convidados a participar da Conferência de Água para apresentar suas sugestões.
Segundo o prefeito, as informações levantadas durante o evento serão cruzadas com outras, como os investimentos feitos pela Sanepar. O prefeito completou que serão feitas visitas a municípios que assumiram o serviço. ''Se renovar, certamente não será nas mesmas condições do atual'', ressaltou.
O gerente da unidade de operações da Sanepar, Sérgio Bahls, afirmou que a proposta apresentada à administração de Cambé prevê investimentos na ampliação da rede coletora de esgoto e no tratamento da água e do esgoto. Em relação ao esgoto, a proposta é atender 80% da população urbana. Hoje, esse índice não chega a 60%. Já o abastecimento de água atende 100% das pessoas, e a intenção é manter essa porcentagem, independente do crescimento populacional. ''Até 2008, os investimentos devem ser de R$ 16 milhões'', frisou.

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