Londrina

Mário CesarMobilizaçãoMaria Mello: ‘Comunidade sofre com a falta de atendimento’Moradores da periferia de Cambé formaram uma comissão para reivindicar, junto à administração municipal, mais um pronto-socorro atendendo os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Por enquanto, só um dos quatro hospitais existentes na Cidade, a Santa Casa, oferece o serviço para o pessoal do SUS. O Hospital São Francisco deixou de oferecer o plantão de pronto-socorro há dois anos e três meses, mas continua internando os pacientes do Sistema Único. Em Cambé, só a Santa Casa é hospital filantrópico. Os outros - São Francisco, São Lucas e Londrina - são particulares.
Maria Amideje de Mello, membro da comissão e moradora no jardim Tupi, diz que o plantão oferecido pela Santa Casa é insuficiente para atender toda a população que necessita de atendimento médico, principalmente de madrugada. Ela lembra que três postos de saúde do município permanecem abertos até meia-noite. Depois disso, a população só pode recorrer à emergência da Santa Casa.

Mário CesarLotadoPS da Santa Casa: único hospital a prestar atendimento pelo SUSA comissão nasceu, segundo Maria de Mello, há cerca de um ano. É formada por moradores da periferia e representantes da Pastoral dos Migrantes, Pastoral Operária, Federação das Associações de Moradores de Cambé, Associação de Moradores do Jardim Tupi, Paróquia Nossa Senhora de Fátima, entre outras entidades do jardim Tupi. O objetivo, complementa a dona-de-casa, é tentar uma solução para o problema das pessoas que passam horas na fila do pronto-socorro da Santa Casa.
Maria de Mello pede a reabertura do plantão do SUS no Hospital São Francisco. ‘‘Desde que fechou o plantão do SUS no São Francisco, a comunidade começou a sofrer.’’
Além de mais um Pronto Socorro, a comissão espera que os hospitais de Cambé - especialmente os atendidos pelo SUS - ofereçam mais especialidades médicas, para que a comunidade possa ser atendida na Cidade e não precise mais correr para Londrina. ‘‘Nenhum hospital de Cambé oferece UTI (Unidade de Terapia Intensiva)’’, queixa-se.

Mário CesarPlanosAntonio Freitas: €Prioridade é criar o pronto-socorro 24 horas€O secretário de saúde de Cambé, Antonio da Silva Freitas, diz que o ideal seria que os quatro hospitais da Cidade abrissem pronto-socorro para o SUS. Mas como isso, segundo ele, não é possível, a prioridade da Prefeitura é criar um pronto-socorro 24 Horas no jardim Novo Bandeirantes, região que atende muitos bairros pobres do município.
A idéia, conforme o secretário, é transformar o posto de saúde já existente no jardim Novo Bandeirantes nesse centro de emergência. ‘‘Não adianta abrir mais um pronto-socorro no centro da cidade e deixar a periferia sem nada’’, justifica. A ampliação do posto só depende de recursos. ‘‘Estamos ainda no começo do projeto.’’
Ele conta que a Prefeitura repassa para a Santa Casa cerca de R$ 25 mil mensais para manutenção do atendimento emergencial ao SUS. Antonio Freitas observa que a Constituição permite que a Prefeitura garanta verba para o bom funcionamento de um hospital filantrópico, caso a Cidade não conte com hospitais públicos.
A verba repassada pelo município para a Santa Casa é usada para pagamento do salário de médicos, enfermeiros, funcionários, cesta básica de medicamentos e equipamentos do pronto-socorro.
O secretário lembra que no domingo foi realizada em Cambé a 3ª Conferência Municipal de Saúde. Cerca de 200 pessoas participaram, divididas em nove grupos. Segundo Antonio Freitas, na lista de prioridades apontadas pelos participantes, só dois grupos consideraram essenciais a ampliação do SUS para outros hospitais. A maioria - sete grupos - apontou ações visando educação e prevenção como principais metas, assim como a criação de uma UTI, aumento do número e treinamento de profissionais de saúde.

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