Cambé busca solução para violência
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sábado, 18 de outubro de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Cambé O comerciante Róbson Nogueira não se sente seguro dentro de seu mercado, localizado no Jardim Silvino II, em Cambé (13 Km a oeste de Londrina). Em menos de quatro anos, seu estabelecimento foi assaltado nove vezes, em quase todas por menores de idade. Na tentativa de aumentar a segurança, ele decidiu colocar grade em uma das portas. ''Em 15 dias, fomos assaltados três vezes'', recordou Nogueira.
Na tentativa de buscar uma solução para o problema desse comerciante e da população em geral, na próxima segunda-feira, a partir das 18 horas, será realizada uma reunião para discussão da segurança pública no município, que tem 92 mil habitantes. A reunião, prevista para ocorrer no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, contará com a participação de vereadores, representantes do setor de segurança pública e da sociedade civil organizada.
O presidente da Câmara, Carlos Roberto Rasteiro (PMDB), diz que a reunião atende os objetivos da população que vem procurando com frequência os vereadores para reclamar da segurança na cidade. Ele completou que os participantes terão a oportunidade de apresentar suas reivindicações para que, posteriormente, sejam cobradas melhorias dos governos federal e estadual.
Para Rasteiro, o combate ao tráfico de drogas é uma das principais necessidades no município. Ele também defende uma operação de desarmamento. Outro vereador, Osíres Cavaletti (PMDB), que mora no Jardim Novo Bandeirantes,
localizado na região mais mais violenta de Cambé, acredita que a criação de uma guarda municipal poderia ajudar na resolução do problema. ''Esperamos que o governo estadual inclua a guarda comunitária naquela região'', disse Cavaletti.
A vereadora Maria Aparecida André Pascueto (PSDB) denuncia que já sofreu duas ameaças por seu trabalho desenvolvido no combate às drogas. Ela contou que teve aprovado um projeto de lei que proíbe a comercialização de armas de brinquedo no comércio local. ''É preciso agir mais'', ressaltou.
Um exemplo de que a criminalidade vem aumentando em Cambé é o número de homicídios. Em todo ano passado, foram registrados 30 assassinatos na cidade. A mesma marca já foi atingida neste ano, sendo 18 na região do Novo Bandeirantes e 12 na região central da cidade. Desses, 16 foram resolvidos.
O delegado Antônio do Carmo afirmou que esse é um crime difícil de ser evitado. Nem mesmo uma operação de desarmamento, segundo ele, resolveria o problema. ''É preciso uma reforma na legislação. Atualmente, uma pessoa flagrada com uma arma não fica presa'', observou. Sobre a reunião, ele entende que a sociedade civil precisa atuar com um objetivo único, sem a interferência de interesses pessoais.
Outra vítima da violência é o comerciante Adriano Montanari que possui uma loja de materiais de construção no Novo Bandeirantes. Após ser assaltado duas vezes, ele decidiu dar uma basta na ação dos ladrões e contratou um vigia e uma empresa de segurança particular, o que lhe rende gastos de até R$ 1 mil por mês. Apesar do aparato, na hora do almoço do vigia, ele prefere fechar a loja, que é cercada com grades. ''Tenho medo'', frisou.
Montanari, que preside a Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção, contou que o problema de assaltos existe entre todos comerciantes da região. Ele reclama da falta de atenção das autoridades municipais. ''Temos várias lojas e milhares de moradores aqui. Merecíamos mais atenção'', declarou.


