A cidade de Cambé - a mais próxima de Londrina, a apenas 13 km - se industrializou e cresceu bastante nos últimos anos. Ela é a segunda mais importante da RM, com perto de 85 mil habitantes, quase 300 indústrias e aproximadamente 950 estabelecimentos comerciais.
Nem assim, conseguiu vencer o estigma de ‘cidade dormitório’. Certamente, é porque prossegue servindo como local de residência para milhares de pessoas que, durante o dia, trabalham e estudam em Londrina.
São exemplos deste cotidiano, o operador de videoteipe Ricardo Stolf e a doméstica Maria de Lourdes Rodrigues. Ricardo tem 19 anos, cursa o primeiro ano de Administração de Empresas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e trabalha como operador na TV Coroados, também em Londrina.
‘‘Normalmente, saio de casa às 7 horas e só volto lá pelas 23 horas, isto quando não prolongo a noite em bares e festas de Londrina. Em Cambé, mesmo, só estou enquanto durmo’’, conta.
Ricardo Stolf mora há 12 anos no conjunto residencial Castelo Branco, no município de Cambé, próximo à divisa das duas cidades. A mãe dele, Vera, também trabalha há anos em Londrina. ‘‘Depois que saio do trabalho, quase sempre continuo na Cidade para fazer compras, ir a bibliotecas, e pagar contas em bancos, até ir para a UEL à noite. Para mim, não há uma divisão entre Londrina e Cambé. É tudo uma cidade só’’, diz o operador de VT.
Ele explica que considerar Cambé como uma cidade dormitório não é menosprezo. ‘‘É que a minha rotina, assim como a de milhares de cambeenses, está intimamente ligada a Londrina. Uns 90% do meu tempo útil, eu vivo em Londrina’’, explica Ricardo Stolf. ‘‘Dificilmente eu vou ao centro de Cambé, que nem conheço direito. Se eu for, é perigoso me perder por lá. Para atrair mais as pessoas para Cambé, é necessário melhorar os serviços de ônibus. Para facilitar a vida da população e integrar mais os bairros com o centro daquela cidade.’’
Ricardo Stolf entende, no entanto, que a proposta de unificação das cidades vizinhas está atrasada. ‘‘Acho que esta região metropolitana já existe na prática; está tudo junto, não tem como separar mais as cidades, as populações, seus problemas e suas rotinas.Se a oficialização dela vem para melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram nestas cidades, ela é bem-vinda.’’
Maria de Lourdes Rodrigues, 37 anos de idade, é casada, mãe de dois filhos menores, e mora no jardim Ana Elisa 3, em Cambé, há 20 anos. Ela e o marido, Osmar, trabalham em Londrina. Atualmente, ela está empregada como doméstica. Acorda às 6 horas. Arruma as crianças e as encaminha para a escola. Depois de preparar a marmita do marido, empregado em uma indústria, sai de casa às 7h20. Chega na casa onde trabalha, no centro de Londrina, sempre pontualmente às 8 horas. Só volta para Cambé no início da noite.
‘‘É difícil, cansativo, mas já me acostumei com esta rotina. O mais difícil é enfrentar os ônibus, sempre lotados. Mas já foi pior. Antes, o ônibus não entrava no meu bairro e precisava andar a pé cerca de 3 quilômetros, até o ponto mais próximo’’, afirma Maria Rodrigues. ‘‘Quase todo mundo daquela minha região vem trabalhar em Londrina. Em Cambé, está muito difícil encontrar emprego. Só da minha família, outros cinco irmãos e a minha mãe também moram em Cambé e trabalham em Londrina.’’
Ela conta que conhece melhor Londrina que Cambé. ‘‘No centro de Cambé, mesmo, só vou uma vez por ano, quando tenho que pagar os impostos municipais. Trabalhar, passear, fazer compras e tudo o mais, minha família faz em Londrina’’, diz Maria Rodrigues.
Apesar de estar intimamente ligada a Londrina, Maria Rodrigues se diz satisfeita por morar em Cambé: ‘‘Sou pioneira no jardim Ana Elisa 3. Quando chegamos, só existiam três ou quatro casas. Hoje, o bairro tem asfalto, água encanada e quase tudo do que a gente precisa para viver.’’
(Osmani Costa)

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