CAMBÉ - Bebê morre asfixiado em creche pública
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Mauricio Della Barba <br> De Londrina 
A morte de um bebê chocou e revoltou parte da população do município de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). O menino Gian Victor Rodrigues dos Santos, que completaria seis meses de vida hoje, morreu asfixiado anteontem na Creche Municipal Pasquina Romagnolo Jacomel, localizada na Vila Tupy. Era o primeiro dia de Gian na creche.
De acordo com o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, a causa da morte foi asfixia por aspiração de leite. O menino teria morrido por volta das 11 horas, dentro do berçário da creche, onde estavam outras 19 crianças. Gian era o primeiro e único filho do casal de operários Élcio Rodrigues dos Santos, de 25 anos, e Sirley Ferreira, de 29 anos, moradores da Vila Tupy.
Os pais foram avisados quando estavam no trabalho. Os dois estavam desempregados há cerca de sete meses e conseguiram arrumar emprego na última semana. Sirley estava indo trabalhar pela primeira vez na segunda-feira.
Levei meu filho vivo até a creche e ele voltou em um caixão. Isto não está certo, lamentava a mãe de Gian ontem à tarde, depois do enterro da criança. Os pais alegam que houve negligência no cuidado da criança. Isso só aconteceu porque não cuidaram direito dele. O pior é que ninguém diz quem estava responsável pela criança, questionava indignado o pai de Gian, que já está à procura de um advogado para entrar com uma ação contra a creche e a prefeitura de Cambé. Já que não podem nos trazer Gian de volta, queremos pelo menos justiça, reclamava.
Alguns vizinhos, parentes e amigos da família chegaram a fazer uma manifestação em frente à creche durante a manhã de ontem. A Polícia Militar foi acionada e permaneceu durante todo o dia no local para evitar maiores confusões.
Segundo a chefe de gabinete da Prefeitura de Cambé, Marcilene Ricieri Borges Leão, a morte de Gian foi considerada como uma tragédia na cidade. Não há justificativas para o que aconteceu. Foi uma tragédia que poderia ter acontecido na própria casa da criança, com os pais por perto, mas que infelizmente ocorreu dentro da creche, explicou.
Marcilene Leão informou que a criança foi deixada pela manhã na creche e que tomou uma mamadeira por volta das 9 horas. Após arrotar foi colocado no berço para dormir. A última vez que a criança foi vista se mexendo foi por volta das 10h30. Gian foi encontrado morto às 11h30.
A chefe de gabinete não acredita em negligência dos funcionários da creche. Existem quatro funcionárias que cuidam de 20 crianças no berçário, o que dá uma média de cinco crianças para cada uma. Tenho convicção que não foi por falta de cuidado, disse Marcilene Leão.
Mesmo assim, Marcilene Leão garantiu a abertura de uma sindicância interna para apurar realmente o que aconteceu. Vamos checar o que ocorreu e se houver, de fato, qualquer negligência vamos responsabilizar os culpados, salientou. Também foi aberto um inquérito policial para investigar o caso.
Este foi o primeiro incidente na creche Municipal Pasquina Romagnolo Jacomel, que funciona desde 1983 e abriga cerca de 120 crianças com idade até 6 anos. Cambé tem nove creches no total, responsáveis por cuidar de mais de mil crianças da cidade.


