Câmara vota CEI da Comurb
Lúcio Horta
De Londrina
A sessão de hoje da Câmara Municipal promete ser uma das mais quentes dos últimos anos. Diversas entidades de classe de Londrina, entre elas a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Comercial, Industrial de Londrina (Acil) e Maçonaria, prometem lotar as galerias do Legislativo. A Igreja católica também está convocando os fiéis para ir à Câmara. Além disso, os manifestantes prometem dar um abraço simbólico no prédio.
O objetivo das entidades é pressionar os vereadores a aprovar a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar supostas irregularidades na administração pública municipal, sobretudo na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
Anteontem os vereadores do bloco de apoio ao prefeito Antonio Belinati (PFL) resolveram sair do plenário para conversar com os promotores Bruno Galatti e Cláudio Esteves, que desde fevereiro investigam o caso. Pela documentação levantada pelo Ministério Público, o prejuízo causado aos cofres públicos pode ser superior a R$ 14 milhões. Eduardo Alonso, ex-diretor da Comurb, afirmou em depoimento que esse valor chega a R$ 30 milhões.
Depois da visita aos promotores, a sessão de terça-feira recomeçou ainda mais tumultuada, com a presença de entidades de classe e manifestantes. Alguns vestiam camiseta com a inscrição Basta, cobrando dos vereadores posicionamento em relação às investigações. A sessão acabou depois das 22 horas. Para decepção dos presentes, a votação do requerimento que pede a abertura da CEI acabou transferida para hoje.
Não bastassem as pressões, o pronunciamento do vereador Renato Araújo (PPB), presidente da Câmara, esquentou ainda mais o clima. Araújo afirmou que a Acil, antes de defender as investigações do MP, era puxa-saco do executivo municipal; comentou que a OAB, que hoje também defende a formação da CEI, até pouco tempo atrás batia nas costas de vereadores para aprovação de um terreno para a categoria.
O vereador ainda disse que a Maçonaria só passou a defender as investigações do Ministério Público depois que membros da entidades, que ganhariam até R$ 12 mil por mês da prefeitura, saiu da administração junto com o deputado federal Alex Canziani (PSDB), que também é maçom. E fez duras acusações contra a rádio Paiquerê AM, falando inclusive que a emissora adotou uma postura crítica em favor da investigações do MP porque não consegue recursos públicos. Todos os citados por Araújo rebateram as acusações (veja texto abaixo).
Araújo ainda distribuiu um manifesto intitulado Ao povo de Londrina, a Verdade!, no qual nega que a Câmara esteja sendo omissa em relação às investigações dos promotores. O texto cita trechos da Constituição, da Lei Orgânica do município e do Regimento Interno do Legislativo que dizem que a conclusão de uma CEI deve ser encaminhada ao MP. A Câmara Municipal não tem nada a fazer, pois o Ministério Público já instaurou processo competente..., diz parte do texto.
Depois da sessão, Araújo voltou a falar com Galatti e Esteves. O motivo teriam sido telefonemas que os promotores receberam informando que na Câmara os boatos eram de que o próprio Ministério Público havia sugerido que a CEI não era necessária. Ele não disse isso. Vamos investigar quem fez essa ligação e, se for vereador, vamos puni-lo, disse ontem Araújo. Bruno Galatti confirmou que recebeu os telefonemas e que foi à Câmara para esclarecer a situação. Também negou que tivesse recebido ligação de algum vereador.
Renato Araújo reafirmou ontem o que disse em plenário, no dia anterior, e defendeu que só tomou essa posição porque a Câmara tem sido atacada por entidades locais. Para ele, o interesse dessas entidades, que representam diferentes segmentos da sociedade civil, é político. Até mesmo a Igreja Católica. Tanto é que tem padre candidato a prefeito, chegou a dizer, referindo-se ao padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina. O padre afirmou que a informação não é verdadeira.
Sobre a manifestação de hoje, ele comentou que pressão só serve para vereador vagabundo e que vai continuar defendendo a não-aprovação da CEI ainda que não descarte mudar de opinião ou respeitar uma decisão contrária à sua opinião. Ele garantiu ainda que se tiver manifestante jogando moeda ou xingando vereador, suspende a sessão e pede o esvaziamento das galerias. Queremos ser respeitados. E eles têm que respeitar a nossa opinião.





