A Câmara de Londrina vai buscar alternativas políticas para tentar adiar o cumprimento de quatro pedidos de reintegração de posse, determinados pela Justiça, de áreas particulares que foram invadidas por famílias sem-teto. A idéia é reivindicar ao governo do Estado que as decisões judiciais sejam retardadas, dando tempo para que o município encontre um local para assentar as famílias. Essa foi uma das principais propostas surgidas durante reunião, ontem à tarde, na Câmara, com a presença de vereadores, representantes da Companhia Habitacional de Londrina (Cohab-LD), da Polícia Militar (PM) e dos sem-teto.

O encontro foi organizado pelas comissões de Direitos Humanos e Seguridade Social, presididas, respectivamente, pelas vereadoras Elza Correia (PMDB) e Márcia Lopes (PT). ''A Câmara vai tentar interferir junto ao governo para adiar o cumprimento da reintegração de posse'', afirmou Elza. Outra proposta é apresentar uma emenda ao orçamento do município para 2002 prevendo recursos financeiros para comprar uma área destinada a assentar as famílias de baixa renda.

O diretor-presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, disse que as áreas disponíveis da companhia entraram na renegociação da dívida com a Caixa isso quer dizer que os terrenos serão usados pelo banco para construir habitação, mas que não estariam ao alcance dos sem-teto. Outro problema é a falta de recursos da companhia para fazer desapropriações.

O tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, explicou que está aguardando decisão do comando geral da PM para realizar a operação de despejo. Caso elas sejam cumpridas, será necessário reforço de outros batalhões. As quatro áreas estão localizadas próximas aos jardins São Jorge e Maracanã, na zona oeste, Marieta (zona norte) e da Loteadora Tupy (zona sul).

Caso a operação de despejo se concretize, o presidente da Federação de Assentamentos e Sem-Teto de Londrina e Região, José Ricardo da Silva, ameaça trazer as famílias para acampar nos jardins da prefeitura e da Câmara. ''Nós não estamos precisando de propostas. Precisamos que se resolva a situação'', afirmou. Levantamento feito pela federação aponta que 8.751 famílias (47.721 pessoas) vivem em favelas, assentamentos e ocupações urbanas em Londrina.

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