Câmara tem sessão tensa e tumultuada
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Benê Bianchi 
A sessão de ontem da Câmara de Vereadores de Londrina começou tensa, com um desabafo do presidente da Casa, Renato Araújo (PPB). Irritado com alguns problemas que vem enfrentando no cargo, ele soltou farpas para todos os lados e decidiu sair do grupo de sustentação do prefeito Antonio Belinati (sem partido).
Os primeiros a serem atingidos foram o líder do prefeito na Câmara, Sidney de Souza (PST), e o presidente da Comissão de Justiça, Flávio Vedoato (PTB). Araújo os responsabilizou por não ter entrado em votação, na sessão de terça-feira, os dois projetos encaminhados pelo Executivo que prevêem alterações nas responsabilidades de Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia de Desenvolvimento Urbano de Londrina (Comurb).
O projeto está bem formulado e só quer impedir que trabalhos prestados pela AMA que estão sob suspeitas de superfaturamento sejam suspensos enquanto o Ministério Público apura o caso, disse Araújo a jornalistas. O projeto só poderia ter tramitado na terça-feira, quando chegou à Câmara com pedido de urgência, se houvesse o parecer das comissões de Justiça e Finanças.
O presidente da Comissão de Justiça, alegando pouco tempo para analisar o parecer já dado pela assessoria jurídica da Câmara, se negou a assiná-lo no mesmo dia. Vedoato não tinha que fazer nada. Ele não sabe nada de direito. Só tinha que assinar e se recusou a fazer isso. O Sidney, por sua vez, saiu do plenário num momento em que sua presença era imprescindível. Ele tem que coordenar o bloco, não pode deixar o plenário num momento desses, criticou Araújo. Ele afirmou que buscará no Regimento Interno ou na Lei Orgânica formas de destituir comissões que ele julgue não estar trabalhando satisfatoriamente.
Foi por não concordar com a postura do líder do prefeito que ele dediciu deixar o bloco. Agora voto apenas com a minha consciência. Os vereadores atacados por Araújo se defenderam. Vedoato garantiu que, por ter chegado atrasado à sessão na terça-feira, devido a uma viagem para tratar de assunto de seu partido, não teve tempo de analisar a matéria. Os projetos chegaram aqui às 11h30. Os pareceres da assessoria jurídica ficaram prontos às 16 horas. Não posso simplesmente chegar e assinar. Preciso ler, me inteirar das matérias para poder assinar.
Sidney de Souza também rebateu as acusações. Ele disse que estava presente durante o tempo todo da sessão e que quando os projetos deveriam entrar em votação estava correndo atrás dos presidentes de comissões para que eles emitissem pareceres, sem os quais as matérias não tramitariam. No meu entender, a postura do presidente da Câmara como membro ou como ex-membro do bloco de apoio do prefeito foi intempestiva, faltando prudência, o que ele deveria ter de sobra por já estar no Legislativo há mais de 20 anos.
Sidney disse ainda que não se sente omisso na condição de líder. Pelo contrário, liderar não é só fazer discursos mas sim articular desde pareceres com transparência e embasamento até votos dos parlamentares.
Araújo confessou estar irritado porque recebeu um telefonema de empresário dizendo-lhe que havia pessoas da Câmara solicitando favores pessoais em sua empresa. Araújo se negou a dizer quem pedia favores e qual empresário teria feito a denúncia. Sempre trabalhei com honestidade. Não permito esse tipo de coisa e estou apurando o fato, garantiu.


