As críticas às decisões de governo tomadas pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) ocuparam mais uma vez boa parte da sessão de ontem na Câmara de Londrina. O presidente do Legislativo, Tercílio Turini (PSDB), voltou a condenar a intenção da administração municipal de revogar o plebiscito sobre a venda da Sercomtel Celular. E rechaçou também as afirmações do procurador jurídico da prefeitura, Carlos Scalassara, de que as questões envolvendo a coleta de lixo na cidade não são de competência da Câmara.
‘‘Passamos por um momento traumático na administração pública e a Câmara foi muito cobrada e acusada de não fiscalizar. Agora que temos a oportunidade de discutir as questões voltadas ao lixo, chamar a população para um debate, fazer direito algo que estamos aguardando há tanto tempo, corremos o risco de emperrarmos no processo de licitação’’, disse Turini, referindo-se ao ajuizamento por parte do Executivo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contestando projeto de lei que proíbe a terceirização da coleta de lixo.
Para o vereador, o Executivo está assumindo um risco sozinho, quando poderia dividir a responsabilidade com outros setores da sociedade. ‘‘A discussão é política e, no entanto, o assunto foi levado para o campo jurídico’’, completou. Turini disse que esperava uma proposta mais ‘‘ousada’’ da prefeitura, prevendo por exemplo a divisão do município em regiões que poderiam contar com diferentes empresas realizando os trabalhos de coleta de lixo.
O vereador Hélio Cardoso (PSB) também se pronunciou sobre o assunto, afirmando que ‘‘não se trata de questão pessoal entre Executivo e Legislativo, mas sim de reduzir custo’’. Cardoso defendeu a adoção de um teto ‘‘razoável’’ no preço cobrado pela tonelada de lixo coletada, para que a Câmara possa aprovar a terceirização dos serviços.
O líder do prefeito na Câmara, André Vargas (PT), contestou dizendo que não faltou diálogo sobre as questões que envolvem a coleta de lixo. ‘‘Mas acho que o diálogo não foi claro. Está faltando clareza por parte da maioria dos vereadores sobre o que quer.’’ Segundo Vargas, o Executivo apresentou um relatório sobre a municipalização do serviço, mas o documento não foi debatido entre os vereadores.

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