Depois e ficar quase dois anos em discussão na Câmara de Vereadores, o projeto de lei que instituía os serviços de mototáxi e de motoentrega em Campo Mourão foi rejeitado esta semana por 11 votos a 0. O único vereador que defendia o projeto era o próprio autor, Antônio Verri Mançano (PMDB), mas ele está em licença médica e não compareceu à sessão para votar. O projeto estava em tramitação desde julho de 1997.
‘‘Os veredores foram muito pressionados por grupos interessados na não implantação do serviço’’, disse Mançano, sem esclarecer quem são esses grupos. ‘‘É uma pena, porque estávamos criando uma opção de transporte rápido e barato para a população’’. A sessão da Câmara foi acompanhada por vários taxistas e por motoristas de ônibus do transporte coletivo urbano. Os motoristas temiam perder o emprego com uma eventual ‘‘queda no movimento’’ dos ônibus.
‘‘Trabalhamos para que o projeto não fosse aprovado’’, admite o presidente do Sindicato dos Taxistas de Campo Mourão, José Carlos Rodrigues. ‘‘Nosso movimento já está fraco e ficaria ainda pior’’. Ele alega também que o mototaxi não oferece segurança aos passageiros. A justificativa é a mesma do diretor da empresa que faz o transporte coletivo na cidade, Flávio Gurginski. Nenhum mototaxi trabalha atualmente em Campo Mourão.
O projeto só foi à votação depois que a Câmara conseguiu um parecer do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) esclarecendo que o novo Código de Trânsito é omisso na questão e que a lei deveria ser feita pelos municípios. O projeto previa que Campo Mourão poderia ter até duas motocicletas trabalhando para cada dois mil habitantes.

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