Os posseiros que moram no Jardim Aclimação, na cabeceira da pista do aeroporto de Maringá, estão revoltados contra os vereadores que retiraram de pauta um projeto que daria fim na briga deles com a prefeitura. ‘‘Ficamos dois anos brigando até na Justiça para acertarmos as contas com a prefeitura e agora os vereadores não reconhecem o acordo entre as partes’’, reclama e aposentada Teresinha Gonçalves de Oliveira.
Ela ocupa cerca de 10 mil metros no local e acertou em ficar com 30% da área, abrindo mão do restante para o Município. O mesmo acerto foi feito com outros três posseiros, que ocupam mais ou menos a mesma metragem cada. A última briga entre os posseiros e a prefeitura começou em janeiro de 1996. Máquinas da prefeitura alargaram a rua que passa na frente das propriedades, derrubando plantações e destruindo cerca de criações.
Na época, os moradores entraram na Justiça para impedir a urbanização pretendida pela prefeitura e conseguiram liminar favorável. A intenção era de lotear a área. Um mês depois, a prefeitura conseguiu caçar a liminar no Tribunal de Justiça, mas não teve como retirar as famílias. Desde fevereiro de 96, lembra Teresinha, os moradores e a prefeitura vinham conversando até que em novembro de 97 chegaram a um acordo. Das seis famílias que moram no local, quatro concordaram em ficar com 30% da metragem da área que ocupam.
‘‘As outras duas querem pelo menos 80% da área e não teve acerto’’, conta Teresinha. O acerto foi transformado em projeto, já que a prefeitura tem interesse em ficar com o restante da área para urbanizar. Na semana passada, os vereadores rejeitaram o projeto, revoltando os posseiros. ‘‘Não temos para onde ir. Já estamos impedidos de cultivar a terra e criar algum animal, não temos água e luz porque aqui é um bairro que não existe e depois de tanta briga os vereadores não querem aceitar nosso acerto’’, reclama Teresinha.
Ela mora no local desde 1948, comprou a área quatro anos depois e pagou os impostos até 1969. ‘‘Só parei porque a prefeitura não queria mais receber e não transferi o terreno porque não tenho dinheiro. Mas guardo até hoje o contrato de compra e venda’’, revela. ‘‘Consigo ficar aqui por usucapião’’, diz.
Segundo Reinaldo Rodrigues de Godoy, da assessoria Jurídica da prefeitura, o processo foi todo acertado em cima de documentos. Ontem ele não sabia porque a Câmara rejeitou o projeto. O vereador Belino Bravin (PPB), que retirou o projeto de pauta, alega que não tem conhecimento do acerto entre os posseiros e a prefeitura. ‘‘Os moradores já rejeitaram um outro acordo com o Município e agora não apareceu ninguém aqui para falar que está tudo certo’’, argumentou.

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