Marcos NegriniA CâmaraUlisses Maia: números vão chocar a populaçãoO presidente da Câmara Municipal de Maringá, vereador Ulisses Maia (PSDB), pediu à gerência regional da Sanepar um relatório completo sobre o total da arrecadação da empresa na cidade. O gerente Saulo Ancelmo de Souza disse ao vereador que os dados não estavam disponíveis. O diretor técnico da empresa, Lauro Klas Júnior, que ontem esteve na região Noroeste inaugurando obras, afirmou que a empresa só entregará o relatório sobre a arrecadação quando a planilha de custos estiver pronta. Maia disse à Folha que ‘‘a Sanepar não mostra o que arrecada porque o valor poderá chocar a população’’.
O presidente da Câmara afirma que os serviços prestados pela Sanepar em Maringá não têm boa qualidade. ‘‘Falta água nos bairros há mais de um ano. A qualidade da água é duvidosa. Temos recebido centenas de reclamações diárias. E estamos exercendo a nossa função, que é a de fiscalizar’’.
Marcos NegriniA SaneparLauro Klas Jr.: relatório só com planilha pronta
A briga entre a Sanepar e a Câmara Municipal é antiga. No início deste ano, preocupado com as inúmeras reclamações, Maia formou uma comissão especial para investigar a qualidade da água. Os vereadores recolheram amostras do Rio Pirapó e dos poços artesianos que abastecem a cidade, todos controlados pela Sanepar. A comissão não conseguiu provar que a água servida à população é de baixa qualidade. ‘‘É difícil fazer essa comprovação, pois num dia a água pode estar boa e no outro, péssima’’.
Para ter um melhor controle da situação, a Câmara aprovou lei, sancionada pelo prefeito Jairo Gianoto (PSDB) em setembro, que obriga a prefeitura a fazer análises físico-químicas para atestar a potabilidade da água. As análises serão feitas, a partir de janeiro, por laboratório especializado da Universidade Estadual de Maringá nas unidades de tratamento e nos reservatórios de distribuição. O gerente regional de Obras da Sanepar, Wilson Pedrosa, afirmou que este controle a ser feito pela prefeitura não preocupa. ‘‘Temos o nosso próprio controle’’.
Pedrosa e Klas Jr. admitem a falta d’água na cidade, mas justificam com as obras de ampliação e de construção de mais um reservatório para a cidade, que tiveram início em setembro e que devem ficar prontas no segundo semestre de 98. ‘‘Vamos duplicar a capacidade de vazão, passando de 700 litros por segundo para 1.400 l/s. Temos R$ 6,2 milhões da Caixa Econômica Federal para isto’’.
Sobre a reclamação dos vereadores, de que a falta d’água começou há mais de um ano, Pedrosa e Klas Jr. argumentam que o excesso de chuvas provoca uma maior turbidez do produto que chega às estações de tratamento. ‘‘Aí temos que diminuir a vazão em 200 litros por segundo para poder dar tempo de tratarmos melhor a água. Isso provoca a falta de água na cidade’’.
Neste mês, as contas de água chegarão ao consumidor de Maringá com reajuste de 7%.

mockup