A criação de um sistema de transporte comunitário utilizando kombis, peruas e veículos semelhantes, cujo projeto tramita na Câmara de Vereadores, está causando polêmica entre os taxistas. Ontem, o sindicato da categoria protocolou um documento na Câmara manifestando ser contra o projeto por entender que prejudicará os taxistas.
O projeto prevê que o sistema será constituído de veículos com capacidade para transportar entre oito e 16 passageiros sentados. Estes veículos poderão receber e desembarcar passageiros em qualquer ponto da Cidade, sem necessidade de horário ou itinerário pré-determinado. A tarifa a ser cobrada e o funcionamento do sistema ficarão sob responsabilidade da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), órgão gerenciador do transporte na Cidade.
A idéia de criar um sistema intermediário entre o transporte coletivo urbano e os táxis foi proposta pelos vereadores Deolino Basseto (PPB) e João Mendonça (PMDB). Eles justificam o projeto afirmando que o sistema será uma opção aos usuários que relutam em utilizar os ônibus urbanos, quase sempre superlotados, mas também não querem gastar muito com o uso constante dos táxis. Os vereadores acreditam ainda que este sistema propiciará uma fonte de renda para pessoas que possuem esses tipos de veículos.
O vereador Deolino Basseto afirma que os taxistas não serão prejudicados com a implantação do sistema, já que eles terão prioridade na concessão dos alvarás. O projeto foi aprovado ontem em segunda discussão pelos vereadores, que decidiram ainda enviar cópias ao Sindicato dos Taxistas de Londrina, Comurb e Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, para que sejam dados pareceres sobre o assunto.
O presidente do sindicato, João Lopes de Oliveira, adianta que é contra o projeto. ‘‘As pessoas vão preferir pegar esses veículos e deixarão de lado os táxis’’, argumenta. Sobre a proposta de dar prioridade aos taxistas na concessão de alvarás, João de Oliveira afirma que isto também é inviável. ‘‘Qual taxista tem dinheiro para comprar um veículo desses? Não estamos nem conseguindo pagar as prestações do táxi’’, ressalta. A categoria é formada por 326 pessoas.
O diretor de operações da Comurb, Marcos Colli, diz que antes de dar um parecer é essencial analisar a viabilidade de um transporte desse tipo. Ele explica que, entre outros itens, será preciso verificar o itinerário (onde será necessário implantar o sistema) e que tipo de passageiro será privilegiado no transporte. O diretor da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina, Manoel Lopes, prefere não opinar sobre o assunto por desconhecer o teor do projeto.

mockup