O vereador Célio Guergoletto (PMDB) disse ontem que a Câmara Municipal pedirá à Promotoria do Meio Ambiente a interdição do ‘‘Lixão’’, localizado na Estrada do Limoeiro (zona leste), caso o município não inicie em 60 dias o tratamento do chorume. A afirmação foi dada após a Comissão Especial de Inquérito (CEI), que apura irregularidades na administração municipal, ouvir representantes de órgãos públicos ligados ao meio ambiente.
Pela manhã, foram ouvidos o presidente da Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA), Rafael Fuentes; o geógrafo encarregado pelo Lixão, Elsone José Delavi; o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro Neto, e o técnico industrial do IAP, Welington Bem Bem.
Esses esclarecimentos foram acompanhados por produtores rurais vizinhos ao Lixão que estão apreensivos com a possibilidade de contaminação do lençol freático. ‘‘Queremos a desativação do Lixão, como foi prometido há quatro anos, e garantir nossa saúde’’, disse Luciano Lavandoski. Segundo ele, a água do Ribeirão Periquito já está comprometida pelo chorume, por isso as propriedades rurais da região dependem exclusivamente de poços artesianos.
Guergoletto, que é presidente da CEI, disse que o objetivo dos vereadores é pressionar o Executivo a instalar o mais rápido possível um aterro sanitário. Segundo Delavi, esta obra exigirá um investimento de, no mínimo, R$ 3 milhões no prazo de um ano a partir da aprovação do Departamento Jurídico da prefeitura que deverá dar uma resposta ainda esta semana. A área cogitada pela AMA fica na região sul da cidade, próxima à PR-445. ‘‘Pretendemos criar uma central de resíduos que receba sobras de material de construção, lixo orgânico, verde e que faça também a triagem do lixo reciclável’’, disse Delavi.
Outra questão levantada pelos vereadores em meio aos esclarecimentos é o que será feito da usina de triagem e compostagem que foi comprada por mais de R$ 1 milhão há cerca de seis anos e até agora não foi utilizada. De acordo Delavi, a máquina está guardada num depósito da Iguaçu Mec, em Cornélio Procópio, e a intenção é trazê-la a Londrina o mais rápido possível para ajudar na coleta seletiva. ‘‘É um equipamento grande que precisa de uma área adequada para ser instalado. Isto necessitaria de muito dinheiro, por isso não foi executado. Hoje, a usina está obsoleta para o tratamento do lixo, mas pode ser reutilizada na triagem’’. Independente do destino que será dado a ela, Guergoletto disse que a CEI quer saber quem autorizou o investimento e a razão na demora de sua utilização.
Segundo o vereador, os técnicos do IAP disseram à Comissão que a prefeitura pode requisitar junto ao governo estadual verba a fundo perdido para construir o aterro sanitário. Para isso, precisa ter, pelo menos, a área e o projeto. Além disso, Delavi adiantou que a AMA já dispõe de R$ 250 mil provenientes da Superintendência de Controle dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) para o pagamento do EIA-Rima (estudo de impactos ambientais) necessário para o início da obra.

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