O secretário Nacional dos Direitos Humanos e assessor especial de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Agostinho Pedro Veite, pediu ontem a interferência do ministro da Justiça, Íris Rezende, no caso da favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu. Quatro testemunhas - uma delas menor de idade - estão recebendo ameaças depois de ter prestado depoimento acusando agentes da Polícia Civil de terem executados quatro rapazes durante operação. As testemunhas mantêm a versão de que houve chacina.
Ontem, o promotor José Geraldo Gonçalves, que está fazendo investigação paralela à da Polícia Civil, disse que o procurador-geral da República no Paraná, Olympio Sá de Sotto Maior, também informou o ministro que as testemunhas estão correndo risco de vida. ‘‘Estamos aguardando o posicionamento do ministro e informações sobre o contingente da Polícia Federal para que ela possa fazer a proteção das testemunhas’’, disse. O promotor lamentou o fato do Brasil não ter nenhum programa de proteção a testemunhas.
Contradições Gonçalves disse que entregará o relatório final das investigações antes do recesso de final de ano para que ele possa ser distribuído entre as duas varas criminais de Foz do Iguaçu. O promotor já ouviu todas as testemunhas de acusação e tem uma série de provas materiais, porém, não quer fazer revelações.
A Folha apurou que o Ministério Público vai usar o argumento de que os coletes usados pelos policiais, que foram juntados aos autos, não apresentam sinais de bala nem marcas de sangue. Para a Promotoria, isso contraria a versão da polícia - de que os agentes foram recebidos a tiros quando chegaram na favela. O promotor não quis confirmar, mas há informações de que as balas encontradas nos corpos dos quatro rapazes teriam sido disparadas por armas frias utilizadas pelos policiais e não por revólveres oficiais da Polícia Civil.
Um dos questionamentos do Ministério Público e do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu é o fato do delegado corregedor Clóvis Galvão ter feito um primeiro relatório informando que a operação foi mal conduzida e que os policiais estavam despreparados. Galvão pediu a exoneração dos policiais, mas seu relatório foi derrubado no Conselho da Polícia Civil, que preferiu enviar outro delegado para reiniciar a apuração. O delegado Carlos Roberto Moreno é responsável pelo inquérito administrativo e é acusado pelas testemunhas de deixar os policiais que participaram da operação acompanhar os depoimentos, além de autorizá-los a fazer perguntas e interferir nas respostas das testemunhas.
Diariamente, familiares das vítimas têm informado o CDH e o Ministério Público. Ontem, eles voltaram a afirmar que policiais estão rondando a favela. Uma denúncia anônima feita ao CDH diz que agentes estariam ‘‘comprando’’ testemunhas na favela para depor a favor da polícia e que outros agentes estariam recolhendo dinheiro, principalmente nas ‘‘bocas’’ de tráfico de drogas.
Porém, o promotor disse que no processo de investigação não está se discutindo o vínculo dos policiais envolvidos com as mortes e o tráfico de drogas na favela. ‘‘Não fizemos esse tipo de pergunta para as vítimas. Não seria leviano para falar sobre esse assunto agora’’, disse.

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