Câmara pede informações ao ministério
A Câmara dos Deputados deve encaminhar um pedido de informações ao Ministro José Serra sobre as três toneladas de medicamentos vencidos que serão destruídas pela Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar). O pedido de informações foi feito ontem à presidência da Câmara pelo deputado federal Forisvaldo Fier, o Rosinha, baseado na reportagem publicada pela Folha anteontem. O deputado disse que também iria apresentar hoje ao Ministério Público do Paraná uma representação para que os responsáveis pelo desperdício sejam identificados e punidos.
Apesar de não saber do processo que apura a compra excessiva feita pela Central de Medicamentos (Ceme) do Ministério da Saúde, extinta em 1997, Rosinha disse acreditar que os laboratórios foram beneficiados pelo governo Federal. Acredito que, se houve uma compra em excesso, impossível de ser consumida, houve favorecimentos dos laboratórios, disse. Entre outros, os medicamentos vencidos comprados pela Ceme são o Nonoxinol, uma geléia espermicida, do laboratório Searle do Brasil Ltda; Entrogênios da EMS Indústria Farmacêutica Ltda; e o Estrigem, do Eurofarma Laboratórios Ltda.
O deputado quer ainda que o Ministério da Saúde esclareça quais os medicamentos e as vacinas, e as respectivas quantidades, que o ministério repassou em 1997 e 1998 para os Estados, municípios e o Distrito Federal; os critérios usados para efetuar os repasses; o instrumento usado - convênios, acordos, etc -; e os estoques dos Estados brasileiros.
O pedido de Rosinha deve reforçar a denúncia do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores em Serviços de Saude Pública (SindSaúde) feita junto ao Ministério Público do Estado. Anteontem, o promotor de Justiça da Saúde Pública de Curitiba, Ivonei Sfoggia, afirmou que iria encaminhar um pedido de informações ao Secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio. No mesmo dia, a procuradora da República Antônia Lelia Neves Sanches Krueger encaminhou um pedido de informações à Cemepar, à Secretaria de Estado da Saúde e ao Ministério da Saúde, em Brasília. Todos os órgãos têm cinco dias para responder os questionamentos.
Nova denúncia - O SindSaúde recebeu ontem uma moção de apoio às denúncias sobre desperdício de dinheiro público da Câmara de Vereadores de Cianorte. Assinada pelo presidente da Câmara de Vereadores Deolindo Antônio Novo e por três vereadores, a moção afirmava que os vereadores manifestavam apoio à posição do sindicato com relação à solicitação de medicamentos de uso contínuo pelos renais crônicos através da Justiça.
Segundo o documento, há mais de 60 dias faltam remédios para os portadores de doença renal crônica nas Regionais de Saúde de todo o Estado. A situação, conforme a moção, deixa os pacientes à mercê da sorte, ferindo-os no legítimo direito garantido pela Constituição Federal.





