Mauricio Della Barba
De Londrina
Depois de aprovar, por unanimidade, o projeto que condicionava a venda das ações da Sercomtel S.A a uma prévia autorização do Legislativo, a Câmara de Vereadores voltou atrás ontem, aprovando o veto do prefeito Antônio Belinati (PFL) ao projeto. Com isso, a prefeitura pode alienar ou transferir as ações da Sercomtel S.A. a qualquer momento e sem prévia autorização da sociedade.
‘‘Isto é a mesma coisa que dar um cheque em branco’’, disse o vereador Célio Guergoletto, no final da votação. A Comissão de Justiça da Câmara havia recomendado a derrubada do veto.
Eram necessários onze votos contrários para que o veto do prefeito ao projeto fosse derrubado. Dos 21 vereadores da Câmara, apenas 19 votaram. Adalberto Pereira (PFL) e Beto Scaff (PSDB) estavam ausentes. A votação foi secreta, e somou ao final 8 votos contrários, 3 favoráveis, 5 nulos e 3 em branco. O projeto, apresentado por 14 vereadores, foi aprovado por todos os 21 vereadores no dia 2 de setembro.
‘‘Voto em branco, voto nulo? É uma palhaçada. Tem gente que não têm nem a coragem de assumir o voto. Porque tanto medo? A Sercomtel é tão perigosa assim?’’, questionou a vereadora Elza Correia (PMDB).
O líder do prefeito na Câmara, o vereador Sidney de Souza (PTB), justificou: ‘‘Entendemos que o legislativo não pode inteferir na administração da Sercomtel S.A., pois ela conta com outros sócios.’’
A Sercomtel teve 45% de suas ações vendidas no ano passado por R$ 186 milhões. Na época, a Câmara tentou fazer parte do Conselho de Gestão Financeira, que iria gerir o dinheiro da venda. A participação, aprovada em plenário, recebeu o veto do prefeito Belinati, que posteriormente foi derrubado pelos vereadores. A Câmara entrou na Justiça para que a lei fosse cumprida, mas acabou perdendo.

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