Câmara impede privatização de serviço
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terça-feira, 09 de março de 1999
Marcos Zanatta 
Os vereadores de oposição em Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) aprovaram projeto apresentado em conjunto contra a privatização do sistema de tratamento e distribuição de água da cidade, que é gerido pela prefeitura. O repasse do serviço à iniciativa privada foi aprovado pela Câmara no final do ano passado. O projeto foi votado anteontem, graças ao forte esquema de segurança montado pela Polícia Militar, com cerca de 20 soldados do destacamento de Sarandi e mais 10 homens da tropa de choque do batalhão de Maringá. Na segunda-feira da semana passada os manifestantes haviam conseguido impedir a apreciação do projeto.
A votação de anteontem acabou empatada em sete votos, número exato dos vereadores de oposição que apresentaram o projeto contra a privatização. O presidente da Câmara, João Barba Rala Corredato (PSD), desempatou votando a favor do projeto. O protesto de moradores, a maior parte estudantes, em frente à Câmara se transformou em festa. O prefeito Julio Bifon (PSDB) informou ontem que ainda não tem uma posição a respeito, e que pretende analisar se vai ou não contestar o projeto da oposição.
O sistema de água de Sarandi tem cerca de 6,5 mil ligações, abastecidas por 35 poços artesianos e muitas reclamações. Os moradores da periferia são os mais descontentes. Aqui falta água todo final de semana. Agora, com a desculpa de instalar os relógios, estão cortando mais três dias, desabafa a cozinheira Carmem Lucia Reis. Ela mora no Parque Alvamar 3, tem três filhos e dois dias para lavar a roupa e limpar a casa. Moro aqui há três anos, sempre teve o mesmo problema e não quero saber se vai privatizar ou não. Eu quero água todo dia, diz.
A dona de casa Irene Maria de Almeida, também do Parque Alvamar, disse que a privatização não resolve o problema. Falta é vontade da prefeitura em resolver a falta de água, afirma. Ela disse o fornecimento é normal apenas na segunda e terça-feira, e a caixa dágua aguenta mais um dia. Para o operário Ado Ribeiro, que mora há dois meses em Sarandi, o que prejudica é a prefeitura não avisar quando vai cortar. A prefeitura mandou a conta do hidrômetro mas eu não estou pagando porque eles não falam quando vai ser instalado.
O responsável pelo setor de água da prefeitura, Sebastião Cácio de Almeida, não quis falar sobre a privatização, mas disse que os usuários reclamam porque não conhecem os problemas. A inadimplência é muito alta e os devedores passam meses seguidos sem pagar e a gente não pode fazer nada, afirmou. Ele disse que quando um motor quebra, não existe outra saída a não ser suspender o abastecimento até a troca do equipamento. Quem sofre são os moradores que não têm caixa dágua, garantiu.


