DivulgaçãoReconhecimentoIzaú da Silva: ‘Hoje, isso aqui é um paraíso para se morar’Nascido em janeiro de 1911, na pequena Patamuté (BA), no final da década de 40, Izaú Vítor da Silva mudou-se para o Sul do Brasil em busca de melhores condições de vida. Em Londrina, ele chegou em junho de 1950 e foi morar na Vila Nova. Cinco anos depois, mudou-se para a antiga Vila do Grilo, a primeira favela da Cidade. Hoje, totalmente urbanizado, o local - em frente ao Terminal Rodoviário - se chama Vila Fraternidade.
Izaú da Silva tem muito a ver com a mudança ocorrida naquele bairro, bem como em outras regiões da Cidade. Durante 27 anos ele foi funcionário público municipal. Hoje, aposentado, ele receberá da Câmara de Vereadores, em sessão solene às 15 horas, o Diploma de Reconhecimento Público pelos serviços prestados aos londrinenses. O título foi concedido por iniciativa do vereador Célio Guergoletto (PMDB).
Casado com dona Oliva, o baiano - que diz considerar-se londrinense de coração, mesmo sem ser candidato a nada - tem seis filhos, 15 netos e três bisnetos, todos criados em Londrina. E dezenas de afilhados na Vila Fraternidade, lugar que ajudou a construir ao longo das últimas décadas. ‘‘Cheguei a batizar seis crianças num único domingo. Tinha mulher que fazia promessa: quando meu filho nascer, o Izaú e a dona Oliva serão os padrinhos’’, comenta, cheio de orgulho.
A favela do Grilo nasceu da primeira invasão de terreno por famílias de sem- casa da história de Londrina, ocorrida em 1962, durante a administração do então prefeito Milton Menezes. Cerca de 100 famílias ocuparam o terreno, que na época ficava na periferia da Cidade, na zona leste. Grandes erosões, falta de moradia e a precariedade no sistema de água e esgoto atormentavam a vida da população de uma cidade com menos de 30 anos de existência.
‘‘O Grilo era um lugar perigoso. As pessoas tinham medo e a polícia não entrava lá. Havia muito beberrão e homem metido a valente, ameaçando matar uns aos outros. Mas eu não me intimidava’’, conta Izaú da Silva. Ele lembra que, como mestre de obras, ajudou o frei Nereu José Bassi a liderar o movimento que evitou o despejo ameaçado pela Prefeitura e construiu 174 casas de madeira e alvenaria naquele local.
O pioneiro lembra que a negociação com a Prefeitura foi longa e proveitosa. Ninguém foi despejado e cada ocupante comprou o terreno, parcelando o pagamento em vários anos. ‘‘A prestação era bem baratinha, nunca mais que cinco mil réis por mês. O material para a construção chegava de caminhão, doado pela comunidade a pedido do frei Nereu. Construíamos dez casas de cada vez, em regime de mutirão. E dava gosto ver o rosto das pessoas quando entravam nas suas casas pela primeira vez’’, recorda Izaú da Silva, que até hoje mora na segunda casa construída na Vila Fraternidade. ‘‘Hoje, isto aqui é o paraíso, um lugar tranquilo e bom para se morar.’’
(Osmani Costa)

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