Lucilia Okamura
O desempenho administrativo na Câmara de Vereadores de Londrina no primeiro semestre foi considerado excelente, inclusive com redução de gastos, mas em termos políticos foi o mais conturbado dos últimos anos. Esta é a opinião do presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB).
Araújo cita como medidas tomadas no primeiro semestre como presidente a reforma para melhorar condições de trabalho dos servidores e vereadores e a redução de gastos, ligada diretamente ao corte de horas extras. Segundo ele, a redução de horas extras resultou na economia de 20% na folha de pagamento, que gira em torno de R$ 200 mil.
Comentando as discussões entre os blocos de oposição e de apoio ao prefeito Antonio Belinati (sem partido), Araújo disse que nunca presenciou um período como este, ‘‘de desentendimentos e obstrução na votação’’. Há um mês, os grupos começaram a se desentender por causa da permanência do procurador-jurídico da Casa, Antônio Carlos Vianna. Os vereadores de oposição alegaram que os pareceres dele eram tendenciosos.
Na tentativa de pressionar a presidência a exonerar Vianna, o grupo de oposição começou a votar contra os projetos do Executivo e dos vereadores de situação que precisavam de 14 votos. O resultado foi que 16 projetos tiveram que ser retirados de pauta. ‘‘A comunidade sofreu prejuízos porque matérias relevantes não foram discutidas’’, afirmou.
O recesso foi iniciado ontem sem uma solução para a crise. Araújo disse que conversará com os vereadores para tentar ‘‘aparar as arestas’’. Mas reafirmou que não irá exonerar Vianna ‘‘sem motivo plausível’’. Há alguns dias, ele havia comentado que Vianna poderia sair em agosto, mas por motivos particulares.
Além disso, a Câmara foi notícia por causa da comissão processante que apura denúncia de infração ético-parlamentar do vereador Jaci Aguiar (PDT), envolvido no caso conhecido como ‘‘escândalo do leite’’. Outra polêmica foi por causa da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na aquisição de computadores, realizada no ano passado, quando o presidente era Adalberto Pereira (PFL).
Nos próximos dias Araújo pode assumir novamente a prefeitura. Ontem, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que Belinati irá se afastar por alguns dias para manter contatos com empresários, mas a data ainda não foi definida.
Sobre o recesso parlamentar, Araújo disse não concordar porque é injustificável um trabalhador ter apenas um mês de férias, enquanto que os vereadores somam três meses em um ano.Desentendimentos começaram quando vereadores de oposição passaram a pressionar o presidente da Casa para exonerar procurador
Paulo WolfgangAltos e baixosRenato Araújo faz balanço do semestre: ‘‘Em termos políticos foi o mais conturbado dos últimos anos’’

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