Câmara divulga análises de produtos;`
relatório contém outras quatro marcas
•De oito marcas, cinco são reprovados por instituto paulista
•Instituto envia laudos que vereadores oficialmente não pediram
•CEI ouve hoje presidente da Cativa sobre ‘suborno’ e ‘extorsão’
Áureo Nogueira

Paulo Wolfgang
Em mãosAdalberto Pereira fala sobre o relatório do Adolfo Lutz: decisão de divulgar laudos divide vereadores O presidente da Câmara Municipal de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL), apresentou outem o resultado das análises feitas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, em amostras de leite consumido na Cidade. A Câmara havia enviado amostras de oito marcas de leite comercializado em Londrina. Entretanto, o Instituto Adolfo Lutz analisou e enviou laudo de 12 marcas. Das oito primeiras amostras, coletadas no dia 17 de março, com o acompanhamento e supervisão do promotor especial de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, e enviada para São Paulo no dia seguinte, cinco foram classificadas como ‘‘condições higiênicas insatisfatórias por apresentarem bactérias do grupo coliforme e coliforme de origem fecal’’. As outras três tiveram apresentaram ‘‘condições higiênicas do produto satisfatórias’’ (veja quadro ao lado).
As outras quatro marcas foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz no dia 31 de março, sem conhecimento do promotor Leonir Batisti. Duas delas foram classificadas como satisfatórias e duas, como insatisfatórias. O presidente da Câmara não soube explicar por que o instituto paulista apresentou laudo de 12 análises quando somente oito amostras foram oficialmente enviadas. ‘‘Essa questão deve ser esclarecida pela Comissão Especial de Inquérito’’, afirmou Adalberto.
A CEI foi formada para apurar a denúncia de extorsão feita pelo diretor-presidente da Cativa, Osmar Buzinhani, contra três assessores de vereadores: Aristeu Neves Rodrigues (funcionário da Prefeitura e ex-assessor do vereador Alvair de Souza), Fredemax Mota (ex-assessor particular do ex-vereador Jacy Aguiar) e José Rojas Gavilan (ex-assessor de Beto Scaff). Rodrigues foi ‘devolvido’ à prefeitura por Alvair de Souza; Gavilan foi afastado por Beto Scaff; Mota não tem ligação empregatícia com a Câmara.
O promotor Leonir Batisti se disse ontem surpreso com o aparecimento de quatro amostrar além das oito que havia sido coletadas em março. ‘‘Não acompanhei a coleta destas amostras, nem tinha conhecimento de que o Instituto Adolfo Lutz tinha analisado outras marcas além daquelas oito coletadas no dia 17’’, afirma o promotor.
A Folha não publicará o nome daquelas quatro marcas nem o resultado das respectivas análises, por entender que não têm credibilidade. Só fará isso se, ao término das investigações, ficar comprovado que o procedimento de coleta foi correto.
O envelope contendo o laudo das 12 análises foi expedido pelo Instituto
Adolfo Lutz, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no dia 6 (quarta-feira), através de sedex, e recebido pela Câmara ontem. Assim que o sedex foi recebido, os vereadores suspenderam a sessão que realizavam e se fecharam na sala da presidência, durante mais de uma hora. Discutiram o que fazer com o relatório das análises.
Ao sair da sala, o presidente da Comissão Especial de Inquérito que apura a denúncia de extorsão, Antenor Ribeiro (PPB), declarou que ‘‘todos os vereadores decidiram apresentar o laudo do Adolfo Lutz em plenário’’ e que à CEI presidida por ele cabe apenas apurar a denúncia de extorsão. ‘‘A questão da análise do leite é responsabilidade da Câmara. Por isso, a decisão consensual dos vereadores de que o relatório do Adolfo Lutz deveria ser apresentado pelo presidente da Casa’’, acrescentou Ribeiro.
A Folha apurou que a decisão não foi consensual. Houve divisão entre dois grupos de vereadores. Um defendeu que os laudos do instituto paulista fossem encaminhados primeiro à Vigilância Sanitária, à Comissão de Inquérito e ao Ministério Público para, só depois, ser divulgado à imprensa.
No voto, o grupo de treze vereadores que defendeu a divulgação imediata dos documentos - formado por Alvair Avelino de Souza (PL), Beto Scaff (PSDB), Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), Elza Correia (sem partido), Flávio Vedoato (PTB), Moysés Leônidas (PDT), Jorge Scaff (PDT), Luiz Carlos Tamarozzi (PL), Osvaldo Bergamin Sobrinho (PMDB), Roberto Kanashiro (PSDB), Salvador Francisco (PSDB), Santa Rosa (PFL), Sidney de Souza (PST) e Valdemir de Araújo Carneiro (PMN) - venceu a proposta defendida pelo presidente da Câmara, Adalberto Pereira (PFL).
O presidente da CEI do ‘‘Escândalo do Leite’’, Antenor Ribeiro (PPB), mais os vereadores Antônio Ursi (PT), Orlando ‘‘Bonilha’’ Soares Proença (PDT), Renato Araújo (PPB), Roberto Kanashiro (PSDB) e Tercílio Turini (PSDB) foram voto vencido.
A CEI deve ouvir hoje, a partir das 14 horas, o presidente da Cativa, Osmar Buzinhani, e Alfredo Carvalho, diretor da mesma cooperativa. O delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Melo, que preside inquérito policial que também apura a tentativa de extorsão, deve ouvir também hoje o presidente da Cativa.

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