Câmara discute projeto sobre vestibular
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quinta-feira, 06 de setembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O projeto de lei que prevê o fim do o fim do vestibular e o uso das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério para o ingresso de estudantes nas universidades foi dicutido pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Deputados, em Brasília. Segundo o professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Carani, idealizador da proposta alternativa ao atual sistema de acesso ao ensino superior, o projeto de lei recebeu, no início de agosto, parecer favorável do relator, o deputado Eliene Lima (PP-MT), e deve ser colocado em votação na Câmara Federal em breve.
Para o relator, ''o projeto resultaria em ganho para vários cursos ao mesmo tempo e em economia de escala para a instituição, do ponto de vista, por exemplo, do corpo docente, material didático-pedagógico e instalações compartilhadas, necessárias à oferta de tal curso''. O autor do projeto é o deputado federal Alex Canziani (PTB-PR).
Conforme Carani, a proposta foi desenvolvida com base no sistema europeu de acesso à universidade, o qual valoriza o conteúdo aprendido no ensino médio. Segundo ele, o principal instrumento de avaliação no novo método seria a nota do Enem. Os aprovados poderiam entrar nos cursos de pré-graduação específicos, no qual estudariam matérias básicas da carreira escolhida, pelo período de um ano.
Os aprovados não teriam, no entanto, a garantia de terminar o curso. Seria necessário estar entre os melhores alunos para passar ao ano seguinte. ''Quem não conseguisse se classificar, receberia um certificado para buscar vaga em outra universidade ou até um emprego'', completa Carani.
Conforme ele, com a adoção deste sistema, o número de vagas ociosas nas universidades cairia, uma vez que a maior parte das desistências ocorre ainda no primeiro ano, como afirmou o professor.
Segundo ele, entre os cursos na área de ciências exatas, a evasão chega a 50%. ''Com o aumento do número de vagas nos cursos de pré-graduação em até três vezes, o aluno se empenha mais para passar, elevando o nível do curso.''
Os cursos de Matemática, Estatística e Matemática Industrial da Universidade Federal do Paraná (UFPR) já adotaram a classificação do triplo de vagas em caráter experimental, assim como o curso de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que reduziu significativamente a evasão escolar desde que o novo sistema foi colocado em prática, em 1998.
''No curso de Matemática, apenas 8 dos 50 alunos terminavam o curso há dez anos. Hoje, o índice subiu para 40. O reitor aprovou tanto a idéia que deixou a cargo da direção dos outros cursos adotar ou não a nova forma de classificação dos alunos'', conta o professor.
Para ele, o objetivo do projeto é dar condições iguais de acesso ao ensino superior para todos os cidadãos, já que as oportunidades existem. ''Hoje, o sistema brasileiro é altamente elitista e seleciona os estudantes pelo treinamento e pelos recursos que as famílias podem proporcionar aos estudantes'', avalia Carani.


