Foi num ataque de um pit bull, no Rio de Janeiro, que surgiu a prova de que o cão tanto pode ser o melhor como o pior amigo do homem. Enquanto todo mundo festejou a coragem da cachorra vira-lata Catita, que salvou o dono de apenas quatro anos, enfrentando um violento cachorro de raça, de outro lado surgiu novamente a polêmica sobre os cães ferozes.
Em Curitiba, foi tirado da gaveta o projeto da vereadora do PSC Nely Almeida. Lançado ainda em 95 ele previa o uso de focinheiras para os animais que fossem levados a ambientes comuns e ruas da cidade. E a garantia, pelo menos da assessoria da vereadora, é de que o projeto seja levado à ordem do dia para a apreciação da Câmara Municipal, ainda nos próximos dias.
Já no Rio de Janeiro, o projeto é ainda mais complexo. De autoria do líder do PPB, José Guilherme Sivuca, e lançado na tarde de ontem, ele prevê até mesmo a apreensão e reeducação do animal, além de uma multa para os proprietários.
Só no ano de 97, em Curitiba, pelo menos 5 mil pessoas foram atacadas por cães ferozes. E em 95, em São Paulo, o número de casos chegou aos 10.500, atendidos pelo Centro de Controle de Zoonoses.
Resta saber os motivos para tanta violência. Segundo o proprietário do canil Von Heidden, em Curitiba, e também fiscal da Sociedade Protetora dos Animais, Luiz Augusto dos Santos Rodrigues, o principal motivo é a forma inadequada de criação dos cães.‘‘É só pegar o caso do pit bull do Rio de Janeiro’’, relembra ele. ‘‘É sabido que a raça tem cães muito violentos. Mas aquele que atacou o menino posso afirmar que era covarde. Primeiro porque atacou uma criança e só deixou ferimentos leves quando poderia até matá-la e, segundo, porque foi derrotado por um vira-lata’’.
De acordo com o criador o cão é o que o proprietário faz dele. Por isso, se o dono mesmo não estiver preparado, não vai conseguir o respeito do animal. ‘‘O dono daquele pit bull tinha medo do cachorro. Tanto que foi mordido por ele, quando tentou afastá-lo da criança. Criar cachorro em corrente é um sinal disso e também uma atitude pré-histórica’’.
No Brasil a raça, American Pit Bull Terrier, conhecida pelo temperamento agressivo, não é reconhecida pelos Kennel Clubes, apenas uma similar e mais apurada a American Stafford Shire. E é preciso ser um especialista para saber diferenciá-las. ‘‘Elas são realmente muito parecidas’’, explica Luiz. ‘‘O problema é que como o American não é reconhecido não há controle sobre seus cruzamentos. E quando você compra um cão pode tanto estar adquirindo um bom animal, quanto uma boa dor de cabeça. Um animal de guarda não precisa ser violento e mal educado’’.
Segundo o especialista, para não correr o risco de comprar um cão feroz, o melhor mesmo é saber o histórico do animal, sua procedência. E isso só é possível quando se recorre a um Kennel Clube ou a um criador idôneo.Kraw PenasLuiz Augusto diz que o pit bull é o que o proprietário faz deleVivian de Albuquerque

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